Grupos de entreajuda

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Teresa Chaves

presidente da Cáritas de Teja

Ultimamente têm sido criados por todo o país, Grupos de Entreajuda, nomeadamente formados por pessoas em situação de desemprego. Estes Grupos têm como objectivo juntar pessoas que estejam a passar pela dolorosa situação de desemprego. Reúnem normalmente de 15 em 15 dias, partilhando e aumentando a sua rede de contactos, ajudando dessa forma a encontrar emprego. Para além disso, o facto de se encontrarem na mesma situação, torna um pouco menos pesada a sensação de solidão e a depressão típica da experiência de desemprego.
É necessário encontrarmos mecanismos de solidariedade de proximidade que reforcem em cada um de nós o sentir que podemos contribuir para minorar o sofrimento de quem está ao nosso lado. Estar atento ao nosso próximo, ou melhor, como diz o Santo Padre, fazermo-nos próximos dos outros, principalmente dos que estão a passar momentos muito problemáticos devido ao flagelo do desemprego, deverá ser uma prioridade. Saber que não estamos sós com o nosso problema mas que temos ao nosso lado quem se preocupe connosco, é já uma grande ajuda. A solidão é sem dúvida a maior pobreza e o sentirmo-nos amados dá-nos ânimo e força para ultrapassar muitos obstáculos.
O problema do incumprimento das prestações da casa própria continua a ser um ponto crucial que tem de ser analisado urgentemente pelos diversos intervenientes no processo. Ou seja, durante décadas o Estado incentivou as famílias para a compra de casa própria, desenvolvendo assim a economia. Também as Instituições de Crédito incentivaram ou melhor, assediaram as famílias com o crédito bancário. E as próprias famílias que fizeram a opção de compra de casa própria que na altura parecia ser a mais acertada. Urge agora que todos os intervenientes assumam a sua responsabilidade ou melhor dizendo, assumam a parceria nesta transacção e encontrem caminhos que retirem as famílias deste sufoco que é a perspectiva da perda da casa e do consequente aumento de problemas de subsistência. Esta é uma questão que não pode ser adiada por mais tempo pois todos os dias assistimos a famílias que têm de sair das suas casas e ficam sem condições para viver com o mínimo de dignidade. É um problema que arrasta consigo também outros problemas, nomeadamente ao nível do aproveitamento escolar e da coesão familiar.
O desemprego e as suas consequências são pois flagelos que as pessoas não deverão ter de sofrer sozinhas, pelo que seria importante que em cada comunidade fossem criados Grupos de Entreajuda, permitindo minorar estes problemas associados.

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