Somos Tod@s Greg@s!

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Alberto Matos

dirigente do BE

Olhando os títulos dos jornais e os noticiários, no rescaldo das eleições gregas e da tentativa falhada de constituição de governo, parece que um novo fantasma percorre a Europa: a Syriza.
Vale a pena desvendar o mistério por trás deste nome estranho, já que as sondagens para as próximas eleições de 17 de Junho assinalam uma notável subida da Syriza, acima dos 20% e em disputa cerrada pela vitória com o partido da “Nova Democracia”, ou seja, a velha direita.
Não deixam de ser curiosos a surpresa e o empertigamento contra a “ameaça da esquerda radical”, por parte dos mesmos analistas e comentadores que ignoraram ou escarneceram do sofrimento imposto ao povo grego nos últimos três anos. É a ignorância de quem acha normal e inevitável a austeridade, os cortes radicais de salários e pensões, um desemprego radical acima dos 20%, o programa radical de privatizações, a espiral da pobreza e da dívida que conduziu ao segundo resgate.
Para quem nunca vislumbra alternativas, não serviram de alerta mais de uma dúzia de greves gerais. Quando muito, reduziam o descontentamento dos gregos a agitadores violentos e isolados. Daí a estupefação perante a estrondosa derrota dos partidos da “troika” que estiveram juntos no governo.
Chamado a formar governo após o falhanço do partido mais votado, o que propôs a coligação de esquerda Syriza? Obviamente, um governo de esquerda tendo como eixo do programa o rompimento com a austeridade e as imposições da “troika”, a prioridade ao emprego, ao crescimento económico e à justiça social.
Esta proposta, dirigida aos restantes partidos de esquerda, foi infelizmente rejeitada: desde logo pelo PASOK, que continua amarrado aos dois resgates que assinou; mas também pelo KKE, que defende a saída da UE e do euro de forma tão abrupta que nem o PCP preconiza para Portugal.
Depois desta atitude responsável e pró-activa, a Syriza manteve a firmeza e a lucidez de recusar tentativas de última hora para impor um governo de “salada russa” e da confiança da “troika”, mantendo-se fiel aos seus compromissos com o eleitorado.
E agora? Tudo em aberto para a Syriza, até a disputa do primeiro lugar nas eleições de 17 de Junho. Obviamente, já começaram as pressões do FMI, do G8, dos EUA, da UE e até dum sujeitinho que dá pelo nome Durão Barroso, que, se tivesse um pingo de vergonha, teria desaparecido numa fumarola dos Açores…
O que mais lhes dói é que a Syriza não defende o isolamento da Grécia e a saída da UE, nem sequer do euro. Pelo contrário, coloca-se na dianteira da luta dos povos por uma outra Europa, já que o capitalismo nos levou à beira do precipício.
Do povo português e dos povos europeus espera-se uma solidariedade activa com a democracia grega. O centro financeiro da Alemanha, em Frankfurt, foi ocupado por manifestantes que afirmam “somos todos gregos” e se propõem “criar uma, duas, três, muitas Grécias” para cercar os especuladores e os seus representantes nos governos e nas instituições europeias.

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