Filhos… ou enteados?

Quinta-feira, 2 Maio, 2019

Carlos Pinto

director do correio alentejo

A mobilidade é, hoje em dia, um dos principais factores de coesão e competitividade territorial. Sem esta, é difícil a qualquer região almejar novos graus de desenvolvimento social e económico, ficando “literalmente” no fim da linha. É por isso que o recente Programa de Apoio à Redução Tarifária (PART), lançado pelo Governo, foi uma excelente notícia, sobretudo pela possibilidade de melhorar a mobilidade das pessoas e desonerar os seus encargos com a mesma.
Para o PART o Governo atribuiu um valor de 104 milhões de euros, mas para o Baixo Alentejo vieram apenas… 246 mil euros. E é aqui que está o principal problema deste novo programa: a forma como não olha para o país como um todo, privilegiando as grandes urbes em detrimento dos territórios de baixa densidade. E ao contrário do pretendido, assim se “fomenta” uma discriminação cada vez mais evidente do interior face ao litoral.
Fazem, por isso mesmo, muito bem os municípios da CIMBAL em exigir mais do Governo. Porque o seu papel é esse mesmo: reivindicar aquilo que é justo em prol das populações e das suas necessidades. E porque o papel do Estado é cuidar de todos por igual, sem uns serem filhos e outros enteados.

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