Esplanadas

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Hugo Lança Silva

professor do ensino superior

Já o escrevi no meu blogue pessoal e hoje repito-o: não é mérito do actual executivo – porquanto aconteceu com este mas poderia ter sido com o anterior –, mas merece um profundo saúdo de esperança o facto de a Praça da República ter por estes dias uma esplanada decente. Como merece menção positiva a reabertura no Largo de São João de uma outra esplanada, oferecendo às cálidas noites que se esperam, um espaço para os cidadãos. Como escrevo aqui o desejo que haja inteligência na escolha do concessionário do Jardim Público, para que os bejenses possam usufruir deste espaço absolutamente excepcional, que desde há muito voltou as costas à cidade.
Não procurem nestas linhas encontrar setas ou linchar os culpados: sempre gostei mais de procurar soluções do que perder tempo a encontrar alguém a quem culpar e, numa situação de tamanha gravidade, todos os contributos são imprescindíveis. Por muitas razões, os centros históricos da maioria das cidades portuguesas, não sendo Beja infelizmente uma das excepções, sofrem de uma doença cancerígena de uma estirpe muito complexa de exterminar, sendo que, não sendo estas esplanadas e outras iniciativas muito mais do que um fraco paliativo, nesta fase da doença toda a medicação é uma vacina eficaz!
Chamem-me tolo, mas gosto de ver gente a passear nas nossas ruas, de sentir o burburinho de pessoas felizes, de sentir pequenas tertúlias onde se discute tudo e coisa nenhuma, de constatar que a cidade não nos obriga a ficar fechados em casa, mas que nos chama para os espaços públicos. Escrevi no passado e mantenho no presente “que se inventem feiras e feirinhas, pequenos mercados, espectáculos, exposições, que se ofereça vida e alegria a estas ruas onde por estes dias apenas mora a tristeza”, que não se seja fundamentalista e não se tenha medo dos carros, que não sejamos intransigentes no estacionamento, percebendo que a vida é como é, não como gostaríamos que fosse.
Urge repensar o trânsito na cidade de Beja: não apenas se exige uma entrada com dignidade na cidade, um caminho que ligue as pessoas ao centro em vez de as expulsar para as zonas novas, como é preciso repensar o estacionamento, sem a inflexibilidade das recorrentes multas, mormente em locais em que não existem alternativas. Como não se pode continuar a desistir do comércio tradicional! Não tenho soluções mágicas nem uma varinha de encantar, mas podemos olhar para soluções que foram tentadas em outras cidades, tendo a inteligência de saber copiar o que funcionou razoavelmente bem, dando algum ânimo àqueles que por teimosia persistem em lutar contra o que começa a parecer inelutável.
E lutar pela criação de novas empresas, ter o condão de saber receber empreendedores, de usar a enorme criatividade e audácia dos nossos jovens, oferecendo-lhes temporariamente espaços, apoio logístico e algum know how, para que ideias talentosas possam conhecer a luz da existência, para que não continuemos a ser uma capital das ideias perdidas e desaproveitadas, ignorando o nosso potencial, abandonando as nossas possibilidades de desenvolvimento. Num esforço constante que tem de ser de todos, sem nunca ignorar que as dificuldades económicas que só os tontos ignoram dificultam, mas não impossibilitam que Beja seja a cidade que alguns teimam em desejar que seja!

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