Enganei-me! Acho eu…

Quinta-feira, 18 Abril, 2013

Hélder Guerreiro

Depois de ter entendido que o Governo se demitiria ou cairia (acho que é diferente) por alturas do final do primeiro semestre, depois do previsível chumbo do Tribunal Constitucional, relativo a normas relevantes do Orçamento de Estado (como veio a acontecer), depois de se confirmar que a execução orçamental de 2012 não seria conforme tinha propagandeado o Governo e, finalmente, depois de se confirmar a péssima execução orçamental do primeiro trimestre. Mas a verdade é que, para já, me enganei redondamente.
Depois da declaração do primeiro-ministro no dia 7 de Abril fiquei sem perceber nada de nada. É resiliência a mais para um governo de coligação, mesmo na situação que o país atravessa, até porque é evidente a falta de ânimo e de discurso (esperança), esses sim, são a pior coisa que pode acontecer a uma comunidade/povo. Este Governo é portador dessa falta de discurso de esperança, permanentemente!
Neste momento, a única explicação possível, é que este já é um Governo de iniciativa presidencial e que o actual ministro das Finanças não é mais do que o mandatário da “troika” como Mario Monti foi em Itália e Lucas Papademos na Grécia (quando se suspendeu a democracia nesses países). É a garantia dos nossos credores! Parece surreal, pois é mesmo surreal e é a prova de que a realidade pode não ter aderência à ficção!
Com tudo isto, o Governo parece “capaz” de enfrentar o último dos seus grandes falhanços do primeiro trimestre de 2013 (tive até dificuldade em colocar uma data porque os falhanços são cumulativos e progressivos com este Governo) que será um nível medíocre da execução orçamental. Dirão que é culpa do Tribunal Constitucional!
Se assim for, já não me atrevo a afirmar possíveis previsões, ou seja se o Governo resistir e conseguir comunicar que os cortes que vai fazer no tal “Estado Social” são culpa do Tribunal Constitucional então teremos mesmo a tal maratona de que António José Seguro falou quando assumiu o cargo de secretário-geral do PS. Uma maratona dura que, a cada dia que passa, dá mais possibilidades de vitória a quem está à frente e detêm o poder. Dá mais possibilidades de vitória a quem governa porque esta resiliência, por um lado, e a impotência em derrubar este Governo, por outro lado, cansa, mói, desmobiliza e enfraquece as pessoas. Este Governo é um vampiro do nosso ânimo e vence-nos assim, sugando-nos a energia/vida!
António José Seguro, que interrompeu o seu posicionamento de que este mandato é para cumprir até ao fim, exigindo eleições antecipadas (julgo que tem mais do que razão e argumentos para isso) respondeu, à resiliência do Governo, no seu tom habitual, apresentando-se como alternativa e apresentando algumas propostas dentro dos seus dois desígnios diferenciadores: renegociação alargada/profunda do acordo e propostas de medidas de relançamento da economia e do emprego. Teve um discurso mais moderado porque não pediu a demissão do Governo nem pediu eleições antecipadas, “apenas” disse que tudo faria para que aquilo em que acredita (e bem) seja implementado em Portugal. Fiquei a pensar se esta amenização do discurso teria que ver com o “apelo” do primeiro-ministro para que haja um compromisso mais alargado, ou por um telefonema de Cavaco Silva, ou por um telefonema de Paulo Portas, ou de Durão Barroso. Será que há aproximação?
Na reacção ao discurso de António José Seguro, o PSD acusa o PS de estar numa postura radical e isso leva-me a pensar que não há aproximação nenhuma e, se havia, então o PSD estragou tudo outra vez.
Estamos num momento em que os discursos/posturas relevantes (Cavaco Silva, António José Seguro, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e ministro das Finanças alemão) são de aproximação e/ou da necessidade de um acordo alargado que garanta estabilidade. Fala-se em remodelação profunda (onde não está Vítor Gaspar) e da vontade/desejo em que nessa remodelação sejam integradas pessoas do PS.
Serão duas semanas de grande sensibilidade e em que muita coisa pode acontecer, desde a queda do Governo até à implosão do PS. É radical e com uma margem incrível de diferença a minha opinião, eu sei, mas eu neste momento estou confuso e expectante.
A maior dúvida e dificuldade que me assalta é, o que fará António José Seguro no Congresso do PS se o Governo não cai. Não é sustentável um discurso de queda do Governo muito mais tempo e há que encontrar de novo o rumo da maratona e da construção de propostas/alternativas credíveis.
O PS está, tendo em conta um posicionamento forte de António José Seguro, entre a não participação no governo (desde que não seja por eleições), o pedido de eleições antecipadas, a resiliência do Governo e o apelo de muitos á sua participação na suposta solução de governação. É uma equação muito difícil mesmo e o Congresso do PS será o momento de traçar o rumo. O momento da decisão! Tudo isto no grandioso mês de Abril de 2013!

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