Eles andam a esmagar a liberdade que apregoam

Quinta-feira, 13 Fevereiro, 2014

António José Brito

director do correio alentejo

A participação na vida política e o fortalecimento da democracia exigem um sentido de missão e responsabilidade permanentes. Os mais básicos princípios republicanos, que muitos apregoam mas tantas vezes não cumprem, mandam que tenhamos a noção sobre o valor colectivo da comunidade e do bem-comum. Algo que deve superar as ambições e motivações muito particulares de algumas pessoas e grupos.
Vejamos o caso da acção política e partidária! Como sabemos, em democracia, cada acto eleitoral é um momento de avaliação e aprovação, ou reprovação, das práticas políticas desenvolvidas. Mas também das propostas e ideias de cada partido ou projecto.
Quem ganha eleições, numa democracia transparente e suficientemente madura, subscreve um “contrato público” que, como todos os contratos, deve ser honrado. E é neste ponto que, como já referimos, nem sempre o interesse de todos se sobrepõe ao interesse de uma só parte.
O problema é grave e não é apenas no país, cujo quadro permite hoje apontar o dedo a tudo e a todos. Num jornal regional, importa-nos mais falar do modo como a contrariedade existe nos nossos concelhos, onde a política exige urgentemente muito mais transparência e responsabilidade. Onde a acção pública e colectiva precisa de fortalecer-se e dinamizar-se: ser independente e não temer os caciques que, à sombra dos subsídios e dos favorzinhos muito criteriosos, andam a esmagar a liberdade que apregoam.
Infelizmente, muitos daqueles que sentem duramente este estado de coisas e sentem as consequências dessa visão autista e de um só grupo, estão a baixar os braços. E agir assim, tenhamos todos a certeza, está a matar a nossa democracia!
É neste ponto que precisamos de reforçar a mais elementar ética republicana! Os administradores da coisa pública, sobretudo naquelas autarquias locais onde há muito faz falta uma verdadeira alternância democrática e política, não podem continuar a agir sem humildade republicana e um intolerável desprezo por quem não lhe faz a vénia!
Ter mais votos não confere a ninguém o direito àquela triste sobranceria que parece ser “carta-branca” para múltiplas posturas: sejam boas, assim-assim ou perfeitos disparates que a todos prejudicam!

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