Bom exemplo em Ferreira

Quinta-feira, 13 Fevereiro, 2014

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Há mais de dois anos que as máquinas estacionaram nos estaleiros e as obras de construção da A26/ IP8 e de requalificação do IP2 pararam à conta da “suspeita” do costume: a crise (e a necessária contenção da despesa pública). Aqui e ali ainda houve algumas tentativas de se dar sequência aos trabalhos já realizados e evitar que muitos euros fossem literalmente deitados na berma. Mas o que é certo é que da primeira via só se avistam algumas terraplanagens e ferro armado apontado aos céus. Quanto à segunda, resta uma estrada que só o é de nome, com ainda mais buracos do que já tinha anteriormente e uma inaceitável falta de segurança para os automobilistas.
Pode pensar-se que este é um cenário típico de um país do Terceiro Mundo, mas ele pode ser visto no “coração” do Baixo Alentejo, em plena Europa (supostamente) desenvolvida. Um quadro inacreditável que quase todos temos vindo a aceitar, dia após dia, com a resignação do costume.
A excepção chega de Ferreira do Alentejo, onde a Câmara Municipal tomou a iniciativa de processar o Estado português. A providência cautelar interposta em Abril de 2013 já obrigou a Estradas de Portugal a alguns trabalhos no terreno, mas é com a acção de fundo que deverá apresentar no final deste mês [ver notícia na página 6 desta edição do “CA”] que o Município ferreirense espera levar o Estado a, no mínimo, repor o que existia no seu território antes do início das obras.
Trata-se de uma atitude isolada que já deveria estar a ser seguida pelas autarquias dos restantes concelhos afectados por esta triste situação, nomeadamente aqueles que são atravessados pelo IP2. Todos eles – fosse por conta própria ou em conjunto – já deviam também ter recorrido à justiça e exigido a quem de direito que pusesse cobro aos danos causados a todos nós, baixo-alentejanos, desde que as obras da A26 e do IP2 pararam em 2011. A justiça portuguesa até pode ser lenta, mas certamente que estes processos seriam bem mais úteis que organizar buzinadelas em caravana, emitir comunicados ou aprovar moções que poucos (ou nenhuns) frutos dão!

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