Do céu ao inferno

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Alberto Matos

dirigente do BE

Não posso começar sem uma referência aos dramáticos acontecimentos que envolveram os 33 mineiros, aprisionados no fundo da mina de S. José, no Chile. A cápsula “Fénix” que os devolveu ao convívio de familiares e amigos simbolizou uma autêntica subida aos céus, ao fim de 69 dias de angústia partilhada em directo por quase toda a humanidade.
“Não somos heróis, somos vítimas da irresponsabilidade dos donos da mina de São José”, lembrou o mineiro Franklin Lobos. Mas nada disto aconteceu por acaso, nem desapareceu por milagre, afirmaram 300 mineiros presentes na missa do acampamento “Esperanza”, em protesto contra os salários em atraso e as suas condições de vida e de trabalho miseráveis.
Por cá, em vez de subirmos aos céus, defrontamo-nos com o inferno do Orçamento para 2011. Não há outra palavra para classificar o desastre social deste Orçamento, imposto por banqueiros, servido pela mão do Governo PS/Sócrates e viabilizado pelo PSD/Passos Coelho, apesar das piruetas que o deixaram em maus lençóis perante os mestres Durão Barroso e Cavaco Silva.
Este Orçamento do “bloco central”, longe de ser “a única saída possível”, não resolve problema nenhum. Pelo contrário, lança a economia na recessão, aumenta o desemprego, reduz o consumo, alimenta a economia paralela, incentiva a fuga ao fisco com o IVA a 23% e, a médio prazo, fará disparar de novo o défice. Até porque os especuladores das agências de rating, como autênticas sanguessugas, querem sempre mais sangue.
Ao roubo de salários e pensões, soma-se o aumento brutal dos preços de produtos de primeira necessidade, como o pão e as próprias facturas da electricidade e da água, cada vez mais em vias de privatização.
Para termos uma medida global, todos estes sacrifícios impostos a quem sempre passou a vida a pagar a crise, a quem trabalha ou sobrevive de uma pensão, não dão sequer para pagar o buraco de 4 mil milhões de euros do BPN que o Estado cobriu generosamente com o dinheiro dos contribuintes. E, enquanto por cá apertamos o cinto, o ex-conselheiro de Estado Dias Loureiro goza férias e faz negócios na ilha do Sal, em Cabo Verde, ao abrigo de uma mais que justa estadia na prisão.
É comer e calar, dizem alguns. E quem cala consente… Infelizmente, há cada vez mais gente que não tem de comer e, assim, não tem nenhuma razão para se calar. A greve geral convocada pelas centrais sindicais para 24 de Novembro é o verdadeiro tribunal da opinião pública que vai chumbar este Orçamento.
E não estamos sós nesta luta: depois das greves gerais na Grécia e em Espanha, a França continua ao rubro – vejam lá, contra o aumento da idade de reforma dos 60 para os 62 anos!
A Europa social, a Europa dos povos, traída por Merkel & Sarkozy e pelos seus criados Durão Barroso, Cavaco Silva, Sócrates e Passos Coelho, está a ser defendida nas greves, nas barricadas e nas ruas por trabalhadores e estudantes.
É também por esta Europa que vamos fazer a maior greve geral de sempre, em 24 de Novembro!

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