Crise

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Rodeia Machado

técnico de segurança social

É quase impossível, para não dizer mesmo que é impossível, não se falar hoje da situação económico/financeira mundial, tal o impacto que ela tem na vida de todos nós, pois é uma matéria que nos afecta diariamente, sobretudo às pessoas e famílias de menor rendimento.
O impacto que tem nas rendas de casa, pese embora se chame crédito à habitação, não passa de isso mesmo, de uma renda de casa, já que o proprietário indirecto do imóvel é, nem mais nem menos, que o credor hipotecário desse imóvel.
Mas quero eu com isto dizer que mantemos uma ligação demasiado frágil entre o que é o pedido de crédito, quando da compra do imóvel, e o que são hoje as reais condições desse mesmo empréstimo.
Em tempos que já lá vão, as taxas de referência dos empréstimos pouco passavam dos dois por cento e as prestações eram razoavelmente baixas, conseguindo acomodar-se no orçamento familiar, que não sendo elevados em muitos casos, eram, contudo, suficientemente comportáveis com o empréstimo contraído.
Hoje não! As taxas sobem diariamente. Sim, são diários os aumentos da taxa de referência, a Euribor, que chegou a atingir os tais “máximos históricos” de 5,47% a 6 meses.
E apesar das taxas de referência do Banco Central Europeu terem baixado de 4,25 % para 3,75%, a taxa Euribor só começou a dar sinais de abrandamento dois dias depois, e apenas baixando umas milésimas.
Significa isto dizer que as taxas, ou taxa do Banco Central Europeu, que é uma taxa oficial, de um banco público (pese embora a sua direcção não responda aos poderes políticos instituídos) baixou para aliviar a pressão e a taxa Euribor, que deveria acompanhar a descida, mantém-se (baixando apenas milésimas) e criando as condições ou, pior, agravando as condições dos já de si magros orçamentos familiares.
É isto o funcionar do mercado?
É isto a livre concorrência?
Não! Isto assim é aquilo que há muito é conhecido como a economia de casino, onde pedir dinheiro emprestado é um autêntica roleta russa, para onde as famílias são atiradas e que condicionam a sua vida futura.
Fizeram ainda, os bancos, uma habilidade, com o necessário consentimento do Governo de José Sócrates, ou seja, o prazo para pagar a casa quase deixou de ter limite de idade, aumentaram os prazos de pagamento para 30 ou 40 anos e até os pais com idade já avançada puderam recorrer ao crédito com o aval dos filhos, que poderiam ser estes a responsabilizar-se com a dívida futura.
Ou seja, na hora do endividar, foram tudo facilidades, para que a tal economia não fosse a economia real que todos precisamos, mas sim uma economia que os bancos e os grandes grupos económicos desejassem e tivessem para poder apostar na tal economia de casino
E agora, para salvar a face da banca, e já agora dos governos que patrocinaram tal situação, é necessário aplicar financiamentos do erário público, que o mesmo é dizer do dinheiro de todos nós, porque o dinheiro do Estado é dinheiro dos nossos impostos, mas não encontram fórmulas, esses mesmos governos, para salvar as famílias que estando endividadas como estão não conseguem pagar os empréstimos, e, mais cedo do que tarde, irão perder a sua habitação.
Sabe-se entretanto que o Governo de José Sócrates decidiu incrementar uma política que visa reforçar a capacidade das famílias poderem arrendar casa em vez de comprar.
E como é essa medida?
Subsídios para renda?
Sim, mas pouco!
O grosso da decisão passou por isentar os senhorios que fazem obras do IMI ou seja, do Imposto Municipal sobre Imóveis. Ora, este imposto é municipal e não da administração central, o que significa dizer que o Governo vai fazer omeletes com os ovos alheios.
Mas entretanto, o que fez com os outros governos europeus é mais do mesmo. E ainda criou uma linha de segurança para os bancos, com um aval de vinte mil milhões de euros para que os bancos possam endividar-se no exterior.
As medidas são sempre do mesmo modo: sacrifício para as famílias e o facilitar da vida aos grandes grupos financeiros.
Neste momento, devemos todos fazer uma reflexão profunda sobre esta crise e que a mesma sirva de exemplo quanto às políticas praticadas no passado e no presente e não se volte a hipotecar o futuro, nomeadamente o futuro dos nossos filhos.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Em Destaque

Últimas Notícias

Role para cima