Carta aberta

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Leandro Gonçalves

Depois de uma troca de impressões com os vereadores eleitos pelo PS, e depois de aguardar pela publicação da acta nº 22/2010 do órgão Câmara Municipal de Castro Verde, entendo passar a redacção tudo quanto há a dizer, da minha parte, em relação ao teor da posição assumida pela CDU naquele órgão.
E faço-o sobretudo para que não haja grosseira deturpação das minhas palavras e para reafirmar publicamente tudo quanto foi afirmado pela Comissão Política Concelhia de Castro Verde em comunicado de 13 de Outubro último.
Refiro primeiramente que a Comissão Política Concelhia (CPC) é um órgão de decisão política local do PS. Logo, das suas posições não cabe recurso pelos eleitos da CDU. Neste órgão participam com, e sem, direito a voto os vereadores eleitos pelo PS, consoante a condição em que ali se fazem representar.
Noutros partidos, confesso desconhecer se discutem ou comunicam com os seus eleitos as suas posições. No PS de Castro Verde discutimos e comunicamos.
No PS, a expressão individual é respeitada e considerada.
No PS, discutimos opções políticas e rejeitamos discussões pessoais.
No PS, trabalhamos para todos e não apenas para os que votam em nós. Portanto, todos, por igual, nos merecem a mesma consideração. Já vossas excelências não têm pejo em assumir o contrário.
No PS, rejeitamos a baixa política e em cinco anos que levo como presidente do órgão local nunca proferi ofensas a pessoas ou entidades, mesmo quando em casos episódicos essa postura obteve como resposta a grosseria e a má criação.
E é este, infelizmente, mais um desses episódios. Recuso responder no mesmo tom de má criação e de ofensa pessoal. Nos órgãos de que faço parte, a resposta será sempre política, educada e respeitadora das mais elementares regras da convivência democrática. Caso contrário, saberei qual o caminho que deverei seguir.
Pela forma verbalmente agressiva como surgiu a vossa resposta, em reunião de Câmara, às críticas da CPC de Castro Verde do PS, é hoje claro que os senhores convivem mal com a crítica. Nós não.
Se os senhores querem transportar para o plano pessoal aquilo que apenas deve caber no plano político/institucional, é uma questão apenas do vosso foro e da qual todos saberemos daí retirar as devidas ilações.
Que o executivo entenda fazer um balanço cor-de-rosa da sua actuação, não é de espantar. Aliás, ironicamente falando, qualquer programa eleitoral pressupõe a execução do que…já está executado. Se os membros do executivo CDU entendem que o trabalho realizado é bom, essa avaliação só os compromete aos senhores. A oposição não é obrigada a concordar, nem tampouco a aplaudir. A título de exemplo, em tudo quanto a CDU afirma ter realizado neste mandato, recomendo a consulta à informação disponível para que se possa aferir as datas em que tais projectos surgem referenciados nas grandes opções do plano, sucessivamente apresentadas e votadas pelos órgãos. Aí se verá quem “não circula” pelo concelho e quem tem uma “atitude demagógica”.
Os senhores confundem a postura de cooperação e colaboração dos vereadores eleitos pelo PS com vassalagem. Em momento algum o deveriam ter feito. O PS e os seus eleitos, respeitando os resultados eleitorais de Outubro de 2009, estão cá para exercer o seu papel de fiscalização dos órgãos municipais, de denúncia do que, do nosso ponto de vista, são más opções políticas e, ainda, de divulgação das suas ideias e projecto político. Que a avaliação do PS local sobre o vosso trabalho ao fim de um ano vos incomode, aceitamos. O que não aceitamos é que queiram vincular essa postura de cooperação dos eleitos do PS ao que não fizeram e prometeram fazer, e muito menos às desculpas que agora utilizam.
A actual condição de crise começou a fazer-se sentir em 2008, foram reeleitos em 2009, qual foi a parte do cenário mundial que perderam? Não estavam à espera? Em tempo alertámos para o irrealismo do vosso programa, face às dificuldades que já se faziam sentir. Assumiram esse programa perante a população. Pois bem. Menos desculpas e mais acção.
Não aceitamos, no PS, grilhetas políticas de quem tem a maioria, mas não tem a unanimidade. Actuamos em respeito com os compromissos que assumimos e exigimos que a CDU faça o mesmo.
Da vossa posição retive, sobretudo, que não desmentem uma única afirmação. Sugerem no entanto uma posição “dúbia e mal intencionada” na questão da aquisição de dois lotes de terreno. Pois bem, clarifiquemos. O negócio imobiliário de que falamos reporta-se a um contrato de promessa de compra e venda estabelecido entre o município de Castro Verde e o anterior proprietário dos terrenos, pelo valor de 150 mil euros. A título de sinal entregou o município uma primeira quantia. Acresce que no contrato supra citado nunca foi colocada a data limite para a concretização do negócio. Por motivos alheios à autarquia, e que aqui não importa explorar, a parcela comprometida não pode ser desanexada, o que tornou o contrato ad eternum. Não obstante esta questão e um conjunto de tentativas para efectivar a escritura do terreno, tal nunca foi possível. No entanto, nova tranche, a título de reforço do sinal anteriormente entregue, foi adiantada pelo Município.
É, pois, nesta fase, ano de 2010, que o Município, certamente cansado de uma década de impasse, resolve-se pela aquisição da totalidade dos terrenos da herdade, por uma quantia superior a 450 mil euros, única forma de resolver o imbróglio criado.
É esta explicação que os senhores devem à população. Foi este pecado que o PS local cometeu. O de afirmar que os interesses do erário público castrense não foram acautelados, não obstante os senhores insistirem na estafada lamúria dos cortes do Estado central. Com este exemplo de “boa gestão” por muitos e bons anos deveriam penitenciar-se.
Mas este é apenas um mau exemplo da vossa gestão.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Em Destaque

Últimas Notícias

Role para cima