As razões de Cunha Rêgo

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Manuel da Cunha Rêgo

antigo presidente do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo

Tomei conhecimento de que, na edição de 21.07.6 do jornal “Correio Alentejo”, foi publicada uma entrevista ao actual presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar que apresenta da gestão anterior uma imagem negativa a ponto de permitir os seguintes títulos ou destaques: “Hospital de Beja põe contas em ordem”, “Hospital melhora gestão”, “Unidade central arruma a casa…” e “… a nova administração liderada por Rui Sousa Santos apostou em pôr a gestão na linha e combater um passivo de 10 milhões de euros”. Uma vez que, de Setembro de 2002 a 30 de Dezembro de 2005, presidi ao Conselho de Administração daquela instituição, sem pretender alimentar polémicas, mas porque entendo que tanto os leitores do Jornal que V. Excia dirige têm direito de informação isenta e plural que lhes permita formar esclarecida e livremente opinião, como eu próprio e a equipa que tive o gosto de coordenar temos direito ao bom nome profissional, muito agradeceria a publicação da presente carta.
Há muitas maneiras de gerir, até porque gerir é optar. O que importa é que tais opções respeitem a lei aplicável. As opções de gestão realizadas entre Setembro de 2002 e Dezembro de 2005 cumpriram-na. Visaram melhorar infra-estruturas, condições de trabalho, formação dos recursos humanos e alterar comportamentos legalmente considerados incorrectos. A preocupação pela qualidade foi constante, ultrapassando em exigência as regras aplicáveis aos Hospitais SA. Visaram a introdução ou reforço de boas práticas para a eliminação do desperdício, a recuperação de dívidas a cobrança das taxas moderadoras devidas, o pagamento de dividas a fornecedores – saliento que à data em que cessamos funções não havia qualquer situação de ruptura ou de ameaça de ruptura de fornecimentos por parte de quem quer que fosse com fundamento na falta de pagamento por parte do CHBA SA. Visaram também assegurar o equilíbrio financeiro ‘numa linha’ de rigor, com ‘contas em ordem’ e ‘casa arrumada’. A gestão financeira foi atenta e sempre validada pela Unidade de Missão que conhecia e acompanhava a gestão de todos os Hospitais SA, tanto mais que a contabilidade era, nos termos da lei, permanentemente auditada por um Revisor Oficial de Contas. O capital social do CHBA, SA foi sempre utilizado de acordo com critérios legais e com os fins da instituição, para suportar, entre outros, os investimentos feitos na melhoria dos meios e instrumentos de trabalho dos profissionais, os investimentos, que nos casos aplicáveis, foram auditados pela gestão do Programa Saúde XXI que em grande parte, face ao que considerou ser o bom trabalho realizado, os aprovou e apoiou.
A actual gestão tem todo o direito de realizar as opções que entenda nos termos da lei e de valorizar a sua imagem aos olhos da opinião pública. Mas não tem o direito de o fazer à custa da criação de condições quer para a desvalorização da seriedade do trabalho da gestão anterior, quer para o descrédito profissional dos seus elementos.
Há mais de 30 anos que trabalho ao serviço da República como funcionário público. Exerci funções como Director-Geral ou equiparado durante mais de 20, sem reparo por parte das várias hierarquias, em diversas áreas e Ministérios (Presidência do Conselho de Ministros, Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Finanças, Defesa Nacional). Aceitei presidir ao Conselho de Administração do Hospital de Beja, essencialmente porque entendi que era tempo de contribuir mais directamente para o desenvolvimento da região de origem da minha família, porque me motivava proximidade e a hipótese de rapidez na melhoria das condições de vida da população do Baixo Alentejo, porque considerei estimulante participar na viabilidade da manutenção do Serviço Nacional de Saúde tal como a Constituição o prevê. Saí enriquecido profissional e humanamente com a experiência. E tive enorme gosto de constatar que as pessoas utentes do CHBA, para cujo bem-estar acima de tudo trabalhamos com a eficiente cooperação dos profissionais de boa-fé da instituição, foram das que manifestaram índices de satisfação mais elevados, conforme “Estudo Técnico de Avaliação da Qualidade Apercebida e Satisfação do Utente nos Hospitais Empresa 2005” elaborado pelo Instituto de Gestão Financeira da Saúde com outras parcerias e apresentado em 14 de Julho último. Índices de satisfação que, para bem da população ao serviço do qual o CHBA de encontra, sinceramente desejo possam ser mantidos e mesmo melhorados na avaliação que, a seu tempo, venha a ser feita da actual gestão.

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