Alterar a matriz?

Sexta-feira, 9 Julho, 2021

Carlos Pinto

JORNALISTA | DIRECTOR DO "CA"

É oficial: Portugal já enfrenta a “quarta vaga” de Covid-19, numa pandemia que, ao longo do último ano e meio, transfigurou por completo as nossas vidas. Apesar de todos os avanços dados, continuamos a ter pela frente um enorme desafio de saúde pública em que não podemos, de forma alguma baixar a guarda ou facilitar naquilo que cabe a cada um de nós em matéria de comportamento e respeito pelas normas de saúde e segurança.
Estes têm sido meses intensos, a caminhar sobre o arame em direção ao desconhecido. Um caminho exigente em que já foram dados passos gigantescos no combate à pandemia, desde a descoberta e implementação de uma vacina a toda a forma como nos adaptámos, seja em casa ou no trabalho, a esta convivência com um vírus ainda hoje com muito por descobrir.
Talvez por isso não esperássemos que, ao fim de todo este tempo todo, tivéssemos ainda hoje de estar constantemente a alertar para a necessidade de manter o uso de máscara, de evitar grandes aglomerados ou de zelar pelo distanciamento social. Essas são regras que todos – todos mesmo – temos de continuar a cumprir por mais algum tempo, enquanto não se adquire a desejada imunidade de grupo.
Mas em simultâneo, é também tempo de se começar a rever alguns dos parâmetros com que as autoridades (políticas e de saúde) vão determinando os passos a dar rumo ao desconfinamento. Nesse âmbito, o que nos parece mesmo ser essencial nesta altura é alterar a atual matriz de risco, que deve deixar de estar associada ao número de novos infetados e passar a estar ligada ao número de internamentos.
Paralelamente, julgamos ser aconselhável alargar a “malha” naquela que é a contabilidade do número de casos de infeção por Covid-19 por cada 100.000 habitantes em 14 dias nos territórios de baixa densidade, por forma a que todas as medidas aplicadas sejam mais justas e ajustadas, defendendo a saúde pública sem deixar de acautelar as economias locais.

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