A vergonha no futebol continua

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Carlos Monteverde

Já aqui escrevi várias vezes que a nossa incultura geral, principal factor do nosso atraso económico, assenta em várias vertentes. E uma delas é a mediocridade de muitos dos nossos agentes desportivos, alimentados por três jornais desportivos diários e medíocres, caso único em países pretensamente evoluídos.
Vem isto a propósito do murro que o sr. Scolari deu no jogador sérvio, que o próprio tentou desmentir logo a seguir ao jogo, no tom agressivo e arruaceiro, que é a sua imagem de marca, e de que se tentou desculpar de forma atabalhoada no dia seguinte, certamente aconselhado pelo senhor de cabelo-cor-de-cenoura, que manda na Federação, que é da mesma estirpe do figurão brasileiro, e pondo o seu obsceno salário em risco.
E o que toda a imprensa desportiva escondeu é que os jogadores portugueses, perto do final, não devolveram uma bola fora à selecção da Sérvia, devido a um jogador sérvio lesionado, como manda o mais elementar desportivismo, e que foi isso que provocou alguns desentendimentos no fim do jogo.
O sr. Scolari e o senhor de cabelo cor de cenoura, representaram, neste triste episódio, uma sucessão de factos feios e intoleráveis que o país não devia permitir. Mas apesar dos avisos do Presidente da República, de membros do Governo e inúmeras pessoas responsáveis, o senhor do cabelo cor de cenoura e o sr. Scolari vão recorrer da sentença dos quatro jogos. Temos jogadores que agridem árbritos outros que tiram o cartão vermelho da mão dos árbritos, e agora um treinador que dá murros nos adversários e que ganha 200.000 euros por mês. Claro que o sr. Scolari quer é segurar um salário, que mais ninguém lhe dá, mais os anúncios das “aeromoças”, a troco de exibições paupérrimas, do pseudo-patriotismo das bandeirinhas e da troca progressiva de jogadores portugueses por brasileiros que não têm lugar na selecção brasileira. Curiosamente, os dois brasileiros chamados à nossa selecção jogam em Espanha. Além do Deco, só faltava o portuguesíssimo Pepe.
Eu pensei que as fabulosas escolas de jogadores dalguns clubes produziam os talentos para jogar na nossa selecção. Talentos futebolísticos e humanos, como demonstraram o Rui Costa e o Cristiano Ronaldo, ao chorarem e não festejaram os golos que vieram marcar aos seus antigos clubes nas competições europeias. Pensava eu que eram estes exemplos que nos fariam gostar do futebol. Pensava eu que eram estes miúdos que tinham valor e orgulho para envergar a camisola das quinas. Afinal há para aí uns brasileiros que nem sabem cantar o hino, mas que descobriram o portuguesismo agora e até foram jogar para a Espanha, e que o sr. Scolari vai seleccionando. Já vamos em dois…
Mas o melhor é não pensar. Afinal a violência do nosso futebol resolve-se é a murro.

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