A Geografia do Disparate

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Hélder Guerreiro

Governar é muito difícil! Por muitas razões mas também porque em cada decisão politica está inerente um impacto sobre a vida das pessoas, sejam muitas, sejam poucas. Recentemente, para tomar uma decisão relativamente difícil, pedi a opinião a um amigo que, depois de uma discussão alargada sobre os prós e contras da tomada de decisão, me respondeu desesperado: “Não fui eu que fui eleito para decidir por isso decide tu!”
Naturalmente não está em causa o interesse do meu amigo sobre o assunto nem a sua capacidade de decisão (nem a minha, pois tomei a decisão que julgo ser a melhor) o que está em causa é que a tomada de uma determinada decisão não é uma coisa fácil, implica conhecer minimamente o assunto, interessarmo-nos por entender as diferentes variáveis, as possibilidades e ouvir as pessoas. Tudo isto serve para tentar minimizar os riscos de uma má decisão. Dirão que é elementar, também eu entendo assim, talvez por isso tenha alguma dificuldade em entender algumas coisas. Vejamos:
No “Correio Alentejo” de 07 de Outubro de 2011 o deputado Mário Simões, no seu artigo de opinião, desenvolve um longo texto intitulado “O Nosso Parque Natural” onde faz afirmações como “as fertilizações dos solos arenosos são feitas sem qualquer controlo…” E continua, referindo que “existe um total desrespeito pela conservação da natureza e biodiversidade por parte de algumas empresas hortícolas a operar no Perímetro de Rega do Mira (PRM). São toneladas de fertilizantes, água e pesticidas variados, utilizados indiscriminadamente”, refere que “a erosão provocada por muitas das actividades aqui exercidas é pura e simplesmente ignorada pelas autoridades.” Fala na utilização de venenos, na administração de produtos esterilizadores de terrenos, mobilizações, no entanto, pasme-se, admite que “não tem sido feita a monitorização do estado de conservação da maioria das espécies e habitats que nos permitam avaliar os impactos da intensificação agrícola no PRM:”
O final do texto é absolutamente enigmático não só porque não consegui entender o último paragrafo como ainda, para terminar, o autor refere que o texto continuaria no próximo número. Esperei pela segunda parte, até hoje!
Sem querer colocar em questão as afirmações feitas no texto, não é essa a questão agora, importa perceber o que é que o deputado Mário Simões pretende fazer para que o que afirma tenha consequências ou um deputado pode escrever o que entender e não acontecer nada!?
Outro caso é o da implementação de portagens na A22! É certo que se trata de uma realidade e de nada serve dizer-se que somos contrários à sua implementação porque ela já ocorreu e foi decidida pelo governo anterior. É curioso, não determinante, assistir aos posicionamentos de quem era contra outrora e hoje se remete ao silencio, e, os vice-versa.
O que é inacreditável em toda a história é a questão dos descontos e isenções aos moradores do Algarve e das regiões limítrofes como o Baixo Alentejo. Até aqui tudo bem (ainda que mal) mas eis que o concelho de Odemira não é considerado como limítrofe ao Algarve, ao contrário de Barrancos (como exemplo).
Ao escrever o parágrafo anterior não pretendo queixar-me da maldade contra Odemira porque não acredito que essa tenha sido a razão. Foi algo muito pior e muito mais perigoso. Foi ignorância!
Meus caros, quando quem nos governa não conhece o mais básico que o seu país tem (a sua geografia) quais poderão ser as nossas expectativas? Responder a esta questão nunca pode ser considerado simples, nem linear porque é um assunto da máxima seriedade. É o país que está em causa.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Em Destaque

Últimas Notícias

Role para cima