2012

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Alberto Matos

dirigente do BE

Para a larga maioria dos portugueses, 2012 começa sob o signo das dificuldades e ameaças de mais austeridade, imposta pela “troika” e aproveitada pela direita no Governo para promover a pilhagem dos salários e pensões. É o drama de quem trabalha e paga impostos ou está desempregado, com o montante e os prazos do subsídio a encolher.
Para esta imensa maioria, a mensagem de Ano Novo do Presidente da República trouxe uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Com lágrimas de crocodilo e apelos vagos à solidariedade, o discurso de Cavaco traduziu-se na promulgação dum Orçamento que agrava o estado da nossa desgraça, sobre o qual até o próprio manifestou reservas de natureza constitucional e de equidade fiscal…
A inflação está a voltar a números de há mais de vinte anos, empurrada pelo aumento da taxa “normal” do IVA para 23%. Sentem-se já aumentos brutais dos preços dos transportes, da electricidade, do gás, dos combustíveis e artigos de primeira necessidade, como o pão e o leite. Após um final de ano dramático, as falências na restauração e noutros sectores fazem alastrar ainda mais o desemprego.
No preciso momento em que muitas famílias vivem os momentos mais difíceis das suas vidas, o governo PSD-CDS decide liberalizar as rendas de casa, colocando milhares de inquilinos nas mãos dos senhorios e sob a mira de despejos relâmpago. A somar a outros milhares de compradores de “casa própria”, que já não conseguem pagar as prestações à banca e também estão ameaçados de ir viver “para debaixo da ponte”.
Mas nem todos têm razões de queixa: os banqueiros e os beneficiários de privatizações, como os chineses da EDP e Isabel dos Santos, sócia na GALP e no BPN do “trabalhador” mais rico deste país, Américo Amorim. E o regabofe vai continuar em 2012 com a Águas de Portugal, os seguros da Caixa, etc… É fartar, vilanagem!
No final de 2013, “se tudo correr bem”, Portugal empobrecido ficará a dever mais 30 milhões de euros. E tudo isto num clima de depressão e autofagia europeias, com a crónica de uma morte anunciada: a do euro.
Há um século reuniu em Basileia o Congresso da II Internacional Socialista, cujo manifesto alertava os povos contra a doença que alastrava na Europa e o perigo iminente da guerra, denunciando o seu carácter imperialista e chamando os operários de todos os países a conduzirem uma luta decidida pela paz. Dois anos depois, a maioria dos chefes socialistas apoiou os esforços de guerra da “sua” burguesia e adoptou a palavra de ordem: “operários de todo o mundo, matai-vos uns aos outros”. A principal consequência política da I Guerra Mundial foi o triunfo da Revolução Soviética de 1917.
A História não se repete, mas não devemos esquecer as suas lições: o capital financeiro e o imperialismo globalizaram-se; a liderança Merkozy empurra para nova tragédia europeia; a traição dos chefes socialistas culminou na sua adesão ao neoliberalismo; e as esquerdas precisam de superar os erros e até os crimes que resultaram da degeneração da primeira revolução socialista vitoriosa.
Resumindo: 2012 não vai ser o fim do mundo, nem sequer o fim da História, anunciado por alguns profetas. Prefiro a sabedoria do poeta Geraldo Vandré:
Vem, vamos embora, que esperar não é saber…
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

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