Num país como Portugal, marcado por profundas desigualdades territoriais, as freguesias assumem um papel insubstituível na ligação entre o Estado e as populações. Uma realidade que é ainda mais evidente em territórios como o Baixo Alentejo, onde a distância aos grandes centros de decisão e a dispersão geográfica tornam fundamental a existência de instituições próximas, capazes de conhecer os problemas e responder às necessidades concretas das comunidades.
No distrito de Beja, onde o envelhecimento da população, a desertificação humana e a dificuldade de acesso a determinados serviços públicos constituem desafios permanentes, este trabalho de proximidade ganha uma dimensão ainda maior. Por isso, valorizar o Poder Local exige mais do que reconhecer a sua importância em discursos pomposos e floreados – exige decisões concretas, competências acompanhadas dos recursos adequados e financiamento ajustado, para que as autarquias de proximidade possam cumprir as suas funções com dignidade e eficácia.
É neste contexto que o Governo deve honrar o acordo previsto para o reforço das verbas a transferir para as juntas de freguesia no âmbito do Orçamento do Estado para 2027 [ver páginas 2-3]. O compromisso assumido não se pode ficar pelo papel, nem ser adiado à custa de quem está diariamente no terreno.
Cumprir este acordo é uma questão de responsabilidade política, mas também de justiça territorial. Não se pode exigir mais às freguesias sem lhes garantir as condições necessárias para responderem melhor. E no interior, onde cada serviço de proximidade conta, reforçar estas instituições significa fortalecer a presença do Estado e assegurar que viver longe dos grandes centros não é uma fatalidade.

Autocarro de passageiros despista-se perto de Baleizão
Um autocarro de passageiros despistou-se na manhã desta sexta-feira, 30, na Estrada Nacional (EN) 260 (EN260), perto de Baleizão, tendo causado uma vítima mortal e,







