Governo “Chumbou” nos exames nacionais

Carlos Pinto

Director do Jornal Correio do Alentejo

Os exames nacionais são um dos momentos mais importantes do percurso escolar de milhares de jovens portugueses, tendo em vista o acesso ao ensino superior e a concretização de projetos de vida construídos ao longo de anos de esforço, dedicação e investimento das famílias.
Todo este processo de avaliação deve assentar em princípios de rigor, transparência e absoluta confiança, mas, infelizmente, aquilo a que assistimos na presente época de exames ficou muito longe desse padrão.
Os problemas registados na correção das provas, associados à implementação de um novo sistema que revelou fragilidades, criaram um clima de incerteza completamente desnecessário. Mais do que uma questão técnica, está em causa a credibilidade de um processo que deve ser imune a improvisações.
A modernização da administração pública e dos processos educativos é desejável e inevitável, mas qualquer mudança desta dimensão exige planeamento, testes exaustivos e garantias de funcionamento antes de ser aplicada numa fase tão sensível do calendário escolar. Não basta acreditar que a tecnologia resolverá os problemas – é indispensável assegurar que ela funciona de forma fiável quando mais é necessária.
Ora o Governo falhou precisamente nesse exercício de ponderação e “chumbou” claramente nesta época de exames, ao avançar com um sistema que ainda não oferecia os níveis de confiabilidade exigidos para um procedimento que influencia diretamente o futuro académico de milhares de estudantes.
Tudo isto exige que sejam retiradas as devidas lições e ilações. Educativas e políticas!

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