Na manhã de terça-feira, 16 de junho, a empresa ALMINA – Minas de Portugal inaugurou um projeto industrial de 400 milhões de euros. O momento foi assinalado com a merecida pompa e circunstância e contou com a presença de diversos membros do Governo, incluindo o primeiro-ministro.
A comunicação social, naturalmente, não faltou ao momento, mas horas depois, vendo os telejornais das 20h00 das três estações em sinal aberto, pouco ou nada sobre o assunto surgiu no alinhamento. Num dos canais, houve uma notícia sobre o tema já perto do final, noutro utilizaram-se imagens para “pintar” um destaque sobre a reforma do pacote laboral e no outro nem um único segundo dedicado ao assunto.
Falamos de um investimento de 400 milhões de euros vital para uma empresa que exporta a sua produção na totalidade e que garante quase plena empregabilidade no concelho de Aljustrel. Mas também estamos a falar de um investimento no interior, longe do “foguetório” de Lisboa e da “bolha” que alimenta o status quo político-jornalístico.
Ora tudo isto é revelador de um problema bem mais profundo. Há décadas que falamos da necessidade de combater as assimetrias regionais, de promover a coesão territorial e criar condições para fixar população e investimento no interior. Contudo, quando surge um exemplo concreto de sucesso, capaz de gerar emprego, atrair atividade económica e reforçar a competitividade de uma região frequentemente esquecida, a sua relevância parece não encontrar correspondência no espaço mediático nacional.
Os meios de comunicação social desempenham um papel fundamental na definição da agenda pública. Aquilo que é notícia ganha visibilidade, influencia debates e ajuda a moldar perceções. Mas quando investimentos desta magnitude realizados no interior recebem uma cobertura residual, transmite-se a ideia de que o que acontece fora dos grandes centros urbanos tem menor importância. Foi o que aconteceu, lamentavelmente…
Não sabemos se alguma vez será diferente. Mas para haver verdadeira coesão territorial é preciso investimento, que exige também reconhecimento. E esse reconhecimento começa, muitas vezes, pela atenção que os meios de comunicação escolhem dar aos acontecimentos que marcam a vida das comunidades, em detrimento da “espuma dos dias”.

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