A Caixa Geral de Depósitos (CGD) obteve, nos primeiros seis meses deste ano, um lucro de 889 milhões de euros, mais 46% que os 608 milhões reportados no período homólogo de 2023. Só a operação em Portugal foi responsável por 791 milhões de euros, mais 56% comparativamente com junho do ano passado, enquanto a atividade internacional do banco contribuiu com 99 milhões, menos 2% que no ano anterior.
Este resultado permitiu à Caixa pagar ao Estado um dividendo adicional de 300 milhões de euros aos 525 milhões já pagos, reembolsando integralmente a recapitalização pública em dinheiro realizada em 2017, após o pagamento de 100% da componente de dívida privada.
Apesar destes resultados “estratosféricos” (o que sucede em quase todos os bancos a operar em Portugal), a CGD prepara-se para reduzir os serviços bancários que presta no interior do país e também nas ilhas, conforme foi anunciado recentemente pelo jornal “Público”.
Segundo o diário, a instituição está a transformar dezenas de agências, que ofereciam todos os serviços, em espaços mais pequenos e de menor oferta bancária, nomeadamente ao nível da tesouraria, e “obrigando” os clientes a recorrer em exclusivo a terminais multibanco para efetuarem as operações necessárias.
Tudo isto é legítimo… não fosse a CGD pertencer à esfera do Estado, ou seja, a todos nós, contribuintes. Um “pormenor” que acaba por ser um “pormaior” e que, por isso mesmo, faz com que seja exigido à instituição outro tipo de responsabilidades perante os cidadãos portugueses.
Ao ser um banco público, a CGD deve ter uma atuação distinta da banca “tradicional” – obviamente tentando o maior lucro possível, mas tendo responsabilidade social; cumprindo com as regras do sistema bancário, mas sem que isso se reflita na resposta que é dada aos portugueses.
É por isso que, mesmo que isso acarrete algum prejuízo, se exige que a CGD tenha agências em todos os concelhos (do litoral ao interior) e que garanta a existência de terminais multibanco em todas as freguesias, sem que para tal seja necessário serem as câmaras e as juntas de feguesia a assumir os custos inerentes. Caso contrário, de que serve termos um banco do Estado?

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