A alegria soberba do primeiro-ministro e dos seus pares do Governo é tudo menos contagiante. Na verdade, passados estes três anos de dura lei orçamental e de uma estratégia absolutamente errada, só Passos e Portas parecem não ver o estado a que o país chegou. Muito pelo contrário, apregoam uma realidade que, para o comum dos cidadãos, é totalmente indecifrável. Melhor dizendo, para que se entenda muito bem: só eles e apenas eles vivem num país melhor!
Se fosse verdade, os portugueses ficariam agradecidos. Mas, infelizmente, com este governo PSD/CDS e um empréstimo de 78 mil milhões de euros, Portugal está bastante pior do que estava há três anos. Os factos são objectivos e não enganam. Pelo contrário, desmentem cabalmente o discurso festivo de Passos Coelho.
E que festa é esta, temperada com alguns sorrisos cínicos num plateia de gente que subscreve e apoia esta governação desastrosa? A festa destes senhores, desculpem a ironia, deve ser certamente uma taxa de desemprego brutal de 15,7% (a meta original da “Troika” era 12%) e uma dívida pública de 130 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) – a meta era 115 por cento!
Dito assim, para alguns até pode parecer pouco! Mas nas nossas ruas e nas nossas vidas, aquilo que sentimos é muitíssimo. Portugal está pior em todas as áreas depois de o Governo, ao invés de cortar na despesa, como aliás se comprometeu, ter agido apenas na receita com uma carga brutal de impostos que continua a castigar fortemente os trabalhadores e já destruiu a classe média.
Portugal voltou a ser um país de jovens emigrantes (a taxa de desemprego jovem está hoje na ordem do 38%) e de famílias inteiras dependentes da caridade. Nos últimos três anos, o Governo castigou sem piedade os reformados (e vai continuar a castigar!), os trabalhadores da administração pública, as pequenas e médias empresas (PME) e os cidadãos em geral com políticas que estão a destruir o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a escola pública.
Infelizmente para os portugueses, PSD e CDS assumiram um ataque nunca visto na nossa democracia, em que quase todos fomos atingidos por uma política cega e de empobrecimento forçado. Uma política neoliberal que é absurda e trata as pessoas como se fossem apenas números!
Esta verdade crua e cruel resulta de uma estratégia que poderia ter sido muito diferente, evitando uma destruição social que vai demorar gerações a ser corrigida. Perante isto, é francamente inaceitável ouvir os dirigentes desta desgraça apregoarem a saída da “troika” como se fosse o final de todos os problemas e o início de uma vida nova e muito mais feliz.
É bom que todos tenhamos a noção que não é nada assim! O país está muito pior: mais pobre, mais injusto, mais endividado, com mais desempregados e mais emigrantes. A teimosia e a cegueira orçamental, para agradar à Alemanha e à direita europeia, continuam a destruir-nos e a sequestrar o futuro dos nossos filhos. Mas perante esta dura realidade, o Governo de Passos e Portas celebra a saída da “troika” como se estivéssemos às portas do paraíso!

Concelho de Ourique “na rota” do Mundial de gravel
Cerca de 1.000 atletas de 34 países são esperados na segunda edição do UCI Alentejo Gravel, prova que se realiza no concelho de Ourique neste







