O último fim-de-semana não podia ser mais fértil em festas, feiras e romarias no Baixo Alentejo. Numa região onde escasseiam pessoas e o poder de compra anda pelas ruas da amargura, alguns responsáveis políticos acham que podem dar-se ao luxo de pensar mal, planear mal e desrespeitar regras básicas de cooperação institucional.
Vamos por partes, para que se perceba bem!
Em Castro Verde há uma feira que já dura há 494 anos e teve sempre uma data certa! Quase cinco séculos é muito tempo mas, ao que parece, há ainda quem não saiba que a Feira de Castro ocorre e ocorreu sempre no terceiro fim-de-semana de Outubro.
Num país onde as feiras ditas tradicionais têm morrido aos poucos, em Castro, graças a uma tradição transmitida entre gerações de vendedores e compradores, a feira resiste como pode e continua a ser “data sagrada” para milhares de pessoas.
Há uns anos, com um esforço inteligente para valorizar o sector da caça, que tem sido muito importante no concelho, a Câmara de Mértola decidiu organizar uma feira temática e marcou-a, a meu ver precipitadamente, para o terceiro fim-de-semana de Outubro. Podia ter sido no primeiro, segundo ou no quarto fim-de-semana, mas a opção foi fazer “colidir” a Feira da Caça com a Feira de Castro.
Foi difícil entender esta solução, mas em parte tolerou-se, porque se trata de uma iniciativa temática e sectorial, que tem um público muito particular!
Este ano… surpresa das surpresas! Não bastava uma feira em Castro e outra em Mértola. Na Câmara de Beja, algures num gabinete onde nada se avista do resto da região, os responsáveis da autarquia decidiram avançar com uma ideia extraordinária: organizar a RuralBeja nos mesmos dias em que já havia Feira de Castro e Feira da Caça em Mértola.
Ninguém que seja possuidor do mais elementar bom-senso consegue comprender esta decisão da autarquia bejense. Não se sabe se a responsabilidade deste disparate é do presidente João Rocha mas, isso sabemos com certeza, só há uma única pessoa que tem de assumir o encargo de uma decisão que não podia ser pior para o Baixo Alentejo.
Essa pessoa é um dos mais experientes autarcas da região e, por mera coincidência, o homem que lidera (!) a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) – uma organização que junta 13 câmaras municipais e onde é suposto haver capacidade de diálogo, convergência e união de esforços em prol da região.
Se há coisa que todos percebemos muito bem é que, neste caso das feiras que se atropelaram no mesmo fim-de-semana de Outubro, não houve diálogo, nem convergência, nem união de esforços! E se há um responsável principal por não ter havido nada disso, tal como todos exigimos, evidentemente que esse responsável é o presidente da Câmara de Beja e da CIMBAL: João Rocha.
É bom que, de uma vez por todas, comecemos a chamar as coisas pelos nomes: Rocha não só tinha a obrigação de impedir que a Câmara a que preside promovesse a RuralBeja em concorrência com as feiras que já existiam como, sendo líder dos municípios da regão, tinha a responsabilidade institucional e política de promover uma concertação de datas que evitasse problemas e desse proveitos para todos os concelhos. Mas não o fez!
Nesta como em muitas outras vezes, João Rocha preferiu ausentar-se da sua obrigação política e institucional. Pior: ajudou a acentuar a divisão quando tinha a grande responsabilidade de promover a união!
E é este homem que, em tempo de tão grandes exigências, lidera a Câmara da capital do Baixo Alentejo e a organização de todos os municípios da região. Será que temos o que merecemos?

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