ASIC e o “Expresso” iniciaram recentemente uma série de reportagens intituladas “Portugal Desigual”. Os trabalhos têm por base um estudo da Fundação Francisco Manuel do Santos e servem para mostrar o país que tínhamos e que temos depois da passagem da “troika” por cá. E os resultados não são nada animadores, apesar de esperados: de 2009 a 2014 ficámos todos mais pobres e o país está cada vez mais desigual.
Mas atentemos em alguns dados concretos do estudo: apesar da diminuição dos rendimentos ter tocado, em geral, todos os portugueses, a perda não atingiu da mesma maneira os mais pobres e os mais ricos: os primeiros sofreram uma quebra de 25% nos seus rendimentos e os segundos de apenas 13%. Se olharmos para as idades, foram os mais jovens que sentiram uma quebra mais intensa: na faixa etária abaixo dos 24 anos os rendimentos caíram 29%. E nem um maior nível de escolaridade foi suficiente para evitar perdas no ordenado: os licenciados foram os mais afectados, com quebras de 20%. Mas há mais: a média de rendimentos mensais passou de cerca de 931 euros para um valor a rondar os 830 euros. E houve 540 mil portugueses a deixar o país, em busca de melhor sorte…
Mais do que argumentos, os números falam por si: o país está pior desde que foi acudido pela “troika”. E o certo é que, ao contrário do que argumentavam os responsáveis políticos à época, estes sacrifícios pouco ou nada se notaram na economia real. As empresas continuam aflitas, o empego pouco aumenta (e quando isso sucede, é a passo de caracol) e o crescimento é anémico. É a prova de que a cura não foi melhor que a doença. E que, certamente, haveria melhores fórmulas de “resgatar” Portugal.

Concelho de Ourique “na rota” do Mundial de gravel
Cerca de 1.000 atletas de 34 países são esperados na segunda edição do UCI Alentejo Gravel, prova que se realiza no concelho de Ourique neste







