Sindicato critica existência de 38 "horários-zero" em Beja

Sindicato critica existência de

O Sindicato dos Professores da Zona Sul (SPZS) diz que, à partida, haverá 260 horários zero no Alentejo e Algarve a partir de Setembro, o que considera ser “escandaloso”.
“Já a partir de Setembro, de acordo com o levantamento efectuado pelo SPZS junto das escolas, serão cerca de 260 ‘horários zero’ em toda a nossa zona sindical”, que engloba as regiões alentejana e algarvia, revela a estrutura sindical.
Em comunicado, o Sindicato dos Professores da Zona Sul realça que, desse total, a maior quantidade vai situar-se no Algarve, região com “114 ‘horários zero’”.
Em Portalegre vão haver 59 “horários zero”, enquanto Évora vai ter 49 e Beja 38, de acordo com o SPZS, que ressalva ainda que estes números não são os finais.
“Poderão ainda haver alterações”, mas este total já é “indicativo de uma situação muito grave”, frisa o sindicato, acrescentando considerar “escandaloso este número de professores com ‘horário zero’ no próximo ano lectivo”.
No comunicado, o SPZS argumenta ainda que “não há professores a mais, há é escola a menos”, e refere que, a partir do próximo mês, “centenas de horários de Quadros de Escola (QE) e de Zona Pedagógica (QZP) poderão desaparecer”.
Isto deve-se, sublinha, à “imposição” por parte do Ministério da Educação e Ciência (MEC), neste ano lectivo, de “vários mecanismos para impedir os jovens professores de entrarem na carreira”, depois de anteriores medidas como “os mega-agrupamentos, as revisões curriculares, o aumento do número de alunos por turma, o alargamento das áreas geográficas dos QZP ou o encerramento de escolas”.
“O último concurso anual para entrada em quadro foi em 2006. Desde aí, saíram do sistema mais de 30 mil docentes, na maioria devido a aposentações, tendo o MEC vinculado ‘extraordinariamente’, ao longo de todos estes anos, apenas 3146 docentes”, critica o SPZS.
Para o sindicato, “é bem evidente a agressividade das medidas tomadas para reduzir o número de docentes no sistema”, o que tem “um profundo impacto na vida profissional e pessoal de milhares de professores, com consequências igualmente prejudiciais para os alunos e para as escolas”.
“Não há qualquer excesso de professores, mas existe uma clara determinação deste Governo em reduzir o papel do Estado na educação”, acusa.
A qualidade da Escola Pública em Portugal corre mesmo “sérios riscos de entrar em colapso e de ser desmantelada”, alerta o SPZS, exigindo a criação de uma norma que “garanta a vinculação dos docentes contratados que têm um maior número de anos de serviço”.
A inexistência desse tipo de norma, que vigora “para o sector privado”, afiançou o SPZS, vai levar a que, “em Setembro, sejam despedidos pelo MEC, na prática, docentes com 10, 15 ou 20 anos de serviço e que irão fazer falta às escolas e aos seus alunos”.

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Correio Alentejo

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