PCP critica “manobras de ilusionismo político” no projeto da linha Casa Branca-Beja

Comboios - Automotora & Estação de Beja

O PCP critica a revisão da dotação financeira das obras de modernização da linha ferroviária entre Casa Branca e Beja, no âmbito do programa Alentejo 2030, e acusou PSD e PS de “manobras de ilusionismo político”.

Em comunicado enviado ao “CA”, a Direção Regional do Alentejo (DRA) do PCP “denuncia e deplora as manobras de ilusionismo político que visam desviar a atenção do que é essencial e alijar responsabilidades mútuas de PS e PSD nos atrasos desta intervenção”.

Para a DRA do PCP, a modernização e eletrificação da linha Casa Branca-Beja “é desde há muito reivindicada pelas populações da região”, assim como “a ligação ao Aeroporto [de Beja]” e a “modernização e eletrificação da linha entre Beja e Funcheira”.

“Há décadas que as sucessivas operações de propaganda e anúncios dos sucessivos governos do PS ou PSD (com ou sem CDS) se saldam no adiamento e não concretização das obras que se impõem, tentando um e outro sacudir culpas, quando é claro que as responsabilidades pelo atraso na concretização destes investimentos é responsabilidade de ambos”, acusam os comunistas.

O PCP sublinha ainda que “a decisão de reduzir em 60 milhões de euros a verba do programa Alentejo 2030 para esta intervenção foi tomada no quadro da sua reprogramação”, durante os meses de setembro e outubro, “com aprovação no Comité de Acompanhamento do Programa”.

De acordo com os comunistas, este comité é composto por representantes da IP, do Governo, “por via de diversos departamentos da administração central”, e das comunidades intermunicipais, tendo a decisão sido “acompanhada pela tutela”.

“É, pois, imperativo que face às trocas de acusações e manobras se clarifique qual o pronunciamento em sede de comité de acompanhamento de cada uma destas entidades e é também importante sublinhar que no momento da decisão não se ouviu uma única palavra por parte do PS ou do PSD”, lê-se no comunicado.

A DRA do PCP lembra ainda que “há muito tempo que o partido vinha chamando a atenção para as consequências desta decisão”, tratando-se “de uma reprogramação imposta de cima para baixo que visa dar resposta a pretensas prioridades da União Europeia, […] sem cuidar da consideração do que são os interesses de uma estratégia regional de desenvolvimento”.

Os comunistas acusam também o deputado social-democrata eleito por Beja, Gonçalo Valente, de querer “sacudir as responsabilidades do Governo do PSD em todo este processo”, após o grupo parlamentar do PSD ter apresentado, na semana passada, um requerimento sobre este assunto, a pedir as audições no Parlamento do presidente da CCDR do Alentejo, António Ceia da Silva, do presidente executivo da IP, Miguel Cruz, e do secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, na Comissão de Infraestruturas, Habitação e Mobilidade.

“É, portanto, uma manobra de ilusionismo com fins claramente políticos que visa lançar uma nuvem de poeira sobre o essencial do conteúdo do processo e preparar o terreno para, face à contestação crescente, aparecer agora como seu salvador, desencantando um possível anúncio de que noutro instrumento qualquer haverá o financiamento que agora ficou em falta”, conclui a DRA do PCP.

EM DESTAQUE

ULTIMA HORA

Role para cima