Natural de São João de Negrilhos (Aljustrel), João Catarino é o novo presidente da Federação do Baixo Alentejo da JS e em entrevista ao “CA” assume a ambição de mostrar aos mais jovens “que a política pode fazer a diferença”.
Qual o maior desafio que tem pela frente enquanto líder da Federação do Baixo Alentejo da JS nos próximos dois anos?
O meu compromisso é aproximar a JS de mais jovens no nosso território. A ambição da equipa que tomou posse é tornar a Federação mais presente e mostrar, de facto, o papel que a JS pode ter na vida dos jovens. Isso passa por reforçar as estruturas existentes, reativar concelhias onde a JS não está ativa e criar uma dinâmica regular de trabalho que se sinta no terreno e não apenas nos órgãos formais.
Que temas serão prioritários neste mandato?
As prioridades passam por áreas que afetam diretamente a nossa vida enquanto jovens, mas que são também transversais a todas as faixas etárias. Precisamos de lutar por um acesso à habitação digno e acessível, de mais emprego qualificado e estável, e de um reforço claro na mobilidade e nos transportes. Se queremos falar de fixação de jovens no território, temos também de lutar pela participação cívica e política, que é o primeiro passo para a mudança. Todos estes temas serão trabalhados com ligação às realidades locais de cada concelho.
Somos jovens, enfrentamos os mesmos problemas e é a partir dessas problemáticas, das propostas e da sua concretização, que se constrói o futuro.
Defende que a JS no Baixo Alentejo tem de ter uma “agenda real, construída a partir dos problemas concretos dos jovens”. Como vai concretizar essa ambição?
As agendas constroem-se com presença no território e saber ouvir, de verdade! Queremos promover encontros descentralizados, envolvendo as estruturas concelhias na identificação dos problemas locais e trabalhar propostas concretas que possam ser apresentadas aos nossos eleitos do PS, sem excluir outros órgãos do poder local. A Federação tem de ser um espaço onde os jovens se reveem, porque não somos diferentes daqueles que não pertencem a uma juventude partidária. Somos jovens, enfrentamos os mesmos problemas e é a partir dessas problemáticas, das propostas e da sua concretização, que se constrói o futuro.
Qual é, na sua opinião, o maior problema sentido pelos jovens na nossa região?
O principal problema que vejo é a falta de oportunidades que permitam aos jovens ficar no território: a dificuldade em encontrar emprego qualificado, a habitação acessível e boas condições de mobilidade, que leva muitos jovens a sair do Baixo Alentejo e, muitas vezes, contra a sua vontade. Mas há também que lutar pelos muitos jovens que ficam, que resistem e querem construir aqui a sua vida. É, também, com esses jovens que temos de falar, valorizar a sua resiliência, sempre com o intuito em criar as condições certas para que o Baixo Alentejo se torne o polo atrativo que todos ambicionamos.
O afastamento dos jovens face à política é inegável. Como vai tentar “contrariar” esta realidade e trazer mais jovens para a JS?
Muitos jovens sentem que uma juventude partidária não é um espaço que lhes pertence. Talvez ainda não estejam despertos para o potencial que existe em fazer ouvir as suas necessidades e perceber que esta pode ser uma plataforma verdadeiramente interventiva. Se o afastamento existe, temos de refletir sobre a forma como estamos a chegar aos outros jovens. Talvez seja preciso outra abordagem, mais próxima, mais simples, que crie pertença. A única forma de contrariar este afastamento é mostrar que a política pode fazer a diferença, com uma JS de portas abertas, que cria espaços reais de participação, envolve em causas concretas e mostra resultados (para mim dos mais importantes).












