Freguesias do concelho de Castro Verde preocupadas com cuidados de saúde no concelho

As quatro juntas de freguesia de Castro Verde exigem que o Governo e a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) garantam médicos de família para toda a população do concelho e manifestaram a sua “profunda preocupação” com o impacto que o novo decreto-lei para contratação de médicos tarefeiros pode ter na região.

Em comunicado enviado ao “CA”, a União de Freguesias de Castro Verde e Casével e as juntas de Entradas, de Santa Bárbara de Padrões e de São Marcos da Ataboeira afirmam que a situação “é particularmente preocupante” no concelho, uma vez que este pode “vir a perder dois médicos de família”.

Tal agravará “uma situação que já é difícil”, deixando “várias centenas de utentes potencialmente sem o acompanhamento médico regular de que necessitam”, sustentam.

Para as juntas de freguesia, “a perda destes profissionais terá consequências diretas nos cuidados de saúde primários, afetando sobretudo idosos, doentes crónicos e cidadãos que necessitam de acompanhamento médico”.

Mas “as consequências deste problema não ficarão limitadas ao Centro de Saúde”, pois “menos médicos de família significam maior pressão” sobre o Serviço de Urgência Básico (SUB) de Castro Verde, continua o comunicado.

“Quando a população não encontra resposta atempada nos cuidados de saúde primários, aumenta a procura do SUB por situações que poderiam ser acompanhadas pelo médico de família”, sustentam as juntas de freguesia, acrescentando que “num serviço que já enfrenta dificuldades na constituição das escalas médicas, esta pressão adicional poderá colocar ainda mais em causa a sua capacidade de resposta”.

Segundo as autarquias, “a preocupação é ainda maior, porque estão em curso investimentos de vulto na área da saúde no concelho de Castro Verde”.

“Não podemos correr o risco de perder médicos de família e, simultaneamente, ficar sem médicos suficientes para garantir o funcionamento do SUB de Castro Verde”, afirmam as quatro juntas de freguesia.

“Mas não basta investir em edifícios e equipamentos. É indispensável garantir médicos e profissionais de saúde para assegurar o seu funcionamento”, afirmam.

As quatro juntas de freguesia alertam ainda para o impacto “particularmente grave” que o novo decreto-lei para contratação de médicos tarefeiros pode ter no funcionamento do SUB de Castro Verde, “caso não sejam assegurados atempadamente os profissionais necessários para preencher as escalas”.

“Não podemos correr o risco de perder médicos de família e, simultaneamente, ficar sem médicos suficientes para garantir o funcionamento do SUB de Castro Verde”, afirmam.

Nesse âmbito, as juntas de freguesia do concelho de Castro Verde exigem ao Governo e à ULSBA a “garantia de médico de família para toda a população do concelho”, assim como “uma resposta urgente que impeça a perda dos dois médicos de família, atualmente em risco de saída”.

As autarquias querem ainda “garantido o funcionamento permanente do SUB de Castro Verde, com as escalas médicas devidamente asseguradas”, um “reforço das equipas médicas dos cuidados de saúde primários e do SUB” e “uma estratégia concreta de atração e fixação de médicos em Castro Verde e no Baixo Alentejo”.

No comunicado, é também exigido que “a aplicação das novas regras relativas aos médicos prestadores de serviços seja acompanhada das soluções necessárias para não colocar em causa a resposta de saúde às populações do interior”.

“A população não pode ser penalizada pela falta de planeamento na gestão dos recursos humanos do SNS”, concluem.

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