O deputado do PSD eleito por Beja, Gonçalo Valente, afiança que a nova escola de pilotos da alemã Lufthansa, que será instalada em Tancos no âmbito do processo de privatização da TAP, não poderia vir para a região por limitações do espaço aéreo.
“A utilização permanente do espaço aéreo em Beja pela Força Aérea [Portuguesa] não é compatível com a utilização do aeródromo para a formação de pilotos com alta intensidade, por uma empresa como a Lufhtansa Tecnics”, afirma Gonçalo Valente em comunicado enviado ao “CA”.
“Tancos é um aeródromo exclusivamente militar, enquanto Beja conjuga utilização militar e civil. Além disso, o aeródromo de Tancos necessita de requalificação e adaptação para novos usos, incluindo a utilização civil, enquanto Beja tem um aeroporto estruturado e em operação, que não carece de investimento”, sustentou então o presidente da CIMBAL, António José Brito.
“A escolha de Tancos para instalar uma escola de pilotos, num investimento anunciado de 500 milhões de euros, é uma decisão que merece uma explicação séria aos habitantes do distrito de Beja”, frisou em comunicado enviado ao “CA”.
No comunicado enviado ao “CA”, o deputado do PSD, Gonçalo Valente, explica que “a escolha de Tancos para a instalação de uma escola de pilotos da Lufthansa assentou em critérios de racionalidade”.
“Ao contrário do que sucede com o Aeródromo Militar de Beja, o Aeródromo Militar de Tancos é uma infraestrutura do Exército que está subaproveitada, necessita de fortes investimentos que serão assegurados pela Lufthansa e tem ampla disponibilidade de espaço aéreo, poupando o Orçamento do Estado”, frisa.
Gonçalo Valente refere ainda que a Base Aérea de Beja “é, atualmente, a maior base da Força Aérea do país”, tendo sediadas “as principais esquadras de aeronaves e helicópteros, além de simuladores, que garantem a formação de pilotos KC390 e brevemente também Super Tucano, oriundos de muitos países”.
“Ou seja, a instalação desta escola de pilotos em Beja, implicaria o encerramento da Base da Força Aérea”, garante Gonçalo Valente, que acrescenta: “Essa seria uma opção inaceitável, fortemente lesiva do interesse nacional e local”.
Por isso, reforça o eleito laranja, e “tendo em conta as suas características, o Governo optou pela aposta industrial para Beja, que beneficiando da Base Aérea como polo aglutinador, deverá transformar-se num dos principais clusters aeronáuticos de Portugal”.
Gonçalo Valente considera ainda “uma profunda irresponsabilidade e falta de noção a atitude de uma parte da CIMBAL”, apelidando-a de “completamente alarmista e servilista”.
“A CIMBAL é um organismo que deveria servir os interesses do território e não se comportar como um braço armado do PS. É por colocarem estes interesses partidários à frente da região que nunca fomos respeitados enquanto território pelo poder central, com as consequências conhecidas”, conclui.












