O deputado do Chega eleito por Beja critica a escolha de Tancos para acolher uma escola de pilotos, no âmbito do processo de privatização da TAP, e por isso vai exigir ao Governo que apresente os “critérios” desta escolha em detrimento da região.
O Governo selecionou, na quarta-feira, 14, a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.
A proposta da empresa alemã prevê um investimento de 500 milhões de euros numa nova escola de pilotos em Tancos, no distrito de Santarém, com o Governo a admitir que a pista deste aeródromo militar poderá vir a ter uso civil.
Em comunicado enviado ao “CA”, o deputado do Chega eleito por Beja, António Carneiro, afirma que “há decisões políticas difíceis de compreender” e “que são verdadeiras afrontas a regiões que há demasiado tempo esperam por oportunidades de desenvolvimento”.
“A escolha de Tancos para instalar uma escola de pilotos, num investimento anunciado de 500 milhões de euros, é uma decisão que merece uma explicação séria aos habitantes do distrito de Beja”, frisa.
Segundo o deputado, “Beja já dispõe de um aeroporto operacional, com uma pista de 3.450 metros, preparado para receber operações civis e militares”, e “tem condições meteorológicas favoráveis, extensas áreas disponíveis e condições de espaço aéreo que constituem vantagens importantes para a formação aeronáutica”.
A par disso, indica, a região conta ainda com “décadas de experiência na formação e treino de pilotos militares, inclusivamente alemães, na Base Aérea nº 11”, além de estarem estabelecidas em Beja “várias empresas do setor aeronáutico”, nomeadamente a MESA, “com investimentos na manutenção de aeronaves, incluindo um projeto anunciado de 60 milhões de euros”.
No comunicado, António Carneiro diz que o distrito “precisa desesperadamente de investimento produtivo, emprego qualificado e oportunidades para fixar” os jovens e que um projeto como a escola de pilotos poderia “dinamizar não apenas Beja, mas também Alvito, Cuba, Castro Verde, Ferreira do Alentejo e outros concelhos da região, através do emprego, da habitação, dos serviços e da formação profissional de jovens”.
Para o deputado do Chega, o Baixo Alentejo “não pode continuar a ser lembrado apenas nos discursos sobre desertificação, envelhecimento e falta de oportunidades” e, por isso, vai exigir que o Governo “apresente os critérios desta escolha e uma comparação rigorosa entre Tancos e Beja”.
António Carneiro quer ainda saber “que avaliação técnica demonstrou que Tancos é uma solução melhor do que Beja” e “quanto custaria instalar esta escola em cada uma das infraestruturas”.
“O Aeroporto de Beja não pode continuar a ser uma infraestrutura com enorme potencial, mas sem uma estratégia nacional suficientemente ambiciosa para a aproveitar”, conclui.
“A opção do Governo configura mais uma forte desconsideração pelo Baixo Alentejo e, evidentemente, mais um contributo para desvalorizar estrategicamente e de forma clara o Aeroporto de Beja”, argumentou ao “CA” o presidente da CIMBAL, António José Brito.












