Deputado do PCP acusa Governo de ter feito “ofensiva” ao aeroporto de Beja

Deputado do PCP acusa Governo de ter feito “ofensiva” ao aeroporto de Beja

O deputado do PCP João Ramos acusou hoje o Governo de ter feito nas duas últimas semanas "uma ofensiva" ao aeroporto da cidade e de teimar em fazer da infra-estrutura "um problema" e "não uma oportunidade".
"O aeroporto de Beja, também gerido pela ANA – Aeroportos de Portugal, foi nas duas últimas semanas alvo de uma ofensiva por parte do Governo, que teima em fazer daquela infra-estrutura não uma oportunidade mas um problema", acusa João Ramos, numa pergunta dirigida hoje ao Ministério da Economia e enviada à agência Lusa.
Segundo o deputado, eleito por Beja, "primeiro foi o total apagamento" do aeroporto de Beja "ao ser ignorado no Plano Estratégico dos Transportes" e, depois, seguiram-se "as declarações infelizes e irresponsáveis" do secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, "a defender a entrega do aeroporto a privados com o seu afastamento da rede aeroportuária nacional".
No início da semana, continua, "o mau tempo danificou o aeroporto de Faro, provocando uma limitação grave daquela estrutura aeroportuária" e "foi noticiado o desvio de alguns voos para o aeroporto de Sevilha".
Na altura, lembra, "pensou-se ser uma situação com implicações mínimas na operacionalidade do aeroporto", mas, entretanto, "avançou-se que a intervenção de recuperação" da infra-estrutura aeronáutica algarvia "poderá demorar quatro meses".
Segundo o deputado, "a distância de Faro ao aeroporto de Beja, estrutura digna e com condições, é cerca de metade daquela que separa a cidade algarvia do aeroporto de Sevilha", mas foi este o usado "como alternativa à incapacidade plena de operação do aeroporto de Faro".
"Soube-se também hoje, através de declarações do director do aeroporto de Beja", que a infra-estrutura "receberia voos que estavam destinados a Faro, mas isso não correspondeu a uma iniciativa ou estratégia da ANA, entidade gestora de ambas as infra-estruturas, mas sim a uma solicitação de uma companhia aérea", frisa.
Para João Ramos, "estamos perante posturas totalmente inadmissíveis por parte de responsáveis políticos, que têm as maiores responsabilidades no rumo do projecto".
"Tanto PSD e CDS-PP, como o PS, tiveram responsabilidades governativas no decorrer do processo do aeroporto" e "nomearam administradores que permitiram que o aeroporto fosse construído sem que paralelamente se fosse desenvolvendo a sua vertente de negócio", refere o deputado.
Na pergunta, o deputado quer saber se o Governo "considera aceitável que os voos que não poderem ser realizados de e para Faro sejam transferidos sistematicamente para Espanha, ignorando-se as possibilidades oferecidas pelo aeroporto de Beja e actuando apenas em reacção ao pedido de uma companhia aérea".
O deputado quer também saber que "acções foram e vão ser desenvolvidas por parte da ANA para o uso do aeroporto de Beja no quadro das alternativas ao aeroporto de Faro em situações de contingência", como as que se verificaram esta semana.

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Correio Alentejo

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