Corridas de galgos são paixão em Castro Verde

Corridas de galgos são

As corridas de galgos continuam a ser uma grande paixão para muitos castrenses, que semana após semana percorrem a região para colocar os seus cães em competição.
As corridas acabam por ser dias intensos, de muita velocidade e ímpeto. Há ansiedade nas partidas, frenesim nas chegadas. Também alguma polémica, mas sobretudo uma enorme dedicação de quem tem por esta raça uma predilecção única.
“O que é isto tem de especial? A velocidade, a adrenalina, os treinos… É tudo!”, diz ao “CA” o castrense Pedro Vicente, que anda nestas lides há quase 20 anos e que desde o final do ano passado é o principal responsável pela Associação Galgueira do Sul, que organiza as provas que decorrem no sul do país.
“A coisa que mais me satisfaz é ver um galgo correr numa pista… Adoro isto, é fantástico!”, acrescenta o também castrense Paulo Renato.
As corridas de cães galgos surgiram há cerca de 50 anos em Portugal e rapidamente ganharam adeptos em todo o país.
De início havia sobretudo provas de resistência, mas hoje são as competições que velocidade que juntam mais criadores.
Normalmente, as corridas decorrem entre os meses de Março e Setembro, sendo disputadas por cachorros (cães até 20 meses) e adultos (mais de 21 meses).
Os domingos de corrida são sempre vividos com grande intensidade durante as consecutivas eliminatórias.
Há provas de manhã à tarde, sempre com quatro cães em pista atrás de uma pele de lebre puxada mecanicamente (e em alguns sítios do país utilizam-se mesmo lebres verdadeiras, criadas em cativeiro para o efeito).
Os 200 metros são percorridos a alta velocidade em menos de 12 segundos e há cães que chegam aos 75 Km/h.
No final, ganha o mais rápido… mas até lá é preciso trabalhar muito, tal qual um verdeiro atleta de alta competição!
“Têm de comer uma ração especial de alta energia, não podem ingerir muita gordura, têm de ter um determinado peso para render e treinar todos os dias. Seja andando uma hora a pé, vir até à pista correr ou fazer natação na barragem”, explica Pedro Vicente.
A paixão pelos cães galgos é capaz de “mover montanhas”, mas não deixa de ter os seus custos. A aquisição de um exemplar nacional pode custar, em média, 500 euros, mas se o cão vier da Irlanda (país que é a principal referência na modalidade) o seu preço pode disparar para os quatro, cinco ou seis mil euros! E depois há a “manutenção” diária, que vai da alimentação aos cuidados de saúde e pode variar entre os 30 e os 50 euros/ mês por cada animal.

Correr por gosto
São dezenas os criadores por cães galgos espalhados pelo Baixo Alentejo. Uns fazem-no apenas por gosto, mas há outros que transportam essa paixão para dentro das pistas.
“Esta paixão surgiu nos meus tempos de infância, quando ia à caça com os mais velhos e caçavam à lebre com os cães. Depois de comecei a adquirir cães, a entrar nas corridas e por aqui ando”, diz Paulo Renato de sorriso rasgado, sem esconder o que mais o atrai na raça.
“São uns cães extremamente dóceis e depois adoro as suas características: a velocidade, o corpo atlético… Tudo isso me fascina”, conta.
Também Pedro Vicente se “apaixonou” pelos galgos ainda jovem.
“O meu irmão e um primo andavam nisto, comecei a andar com eles e tomei-lhe o gosto”, lembra este criador, que desde 1997 participa em provas.
Uma paixão que exige, contudo, alguns sacrifícios – monetários e, sobretudo, pessoais!
“É cansativo, mas quem corre por gosto não cansa”, garante Pedro Vicente. “Aos dias de semana temos de andar com os cães depois de oito horas de trabalho, aos fins-de-semana são as provas… Mas é uma paixão, que hei-de fazer?”, conclui.

Partilhar

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Correio Alentejo

Artigos Relacionados

Role para cima