Volta ao mundo em 2011

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Margarida Janeiro

jornalista

O Mundo aconteceu mais no ano passado do que em toda a minha vida.
O povo saiu à rua e gritou!
Na Tunísia milhares de manifestantes puseram fim à ditadura que vigorava desde 1987 e Ben Ali viu-se obrigado a fugir do país. Iniciou-se a Primavera Árabe. O povo gritou!
A praça Tahir, no Egipto, encheu-se de gente que reivindicou melhores condições de vida, fim do desemprego, direito à habitação e à liberdade de expressão. O regime de Mubarak, no poder há quase 30 anos, caiu. O povo saiu à rua! E gritou! E alcançou!
Por cá, a 12 de Março, 300 mil pessoas de todas as idades e estratos sociais saíram à rua e gritaram. Eis a maior manifestação de que tenho memória e o país também. Portugueses à rasca ajudaram a derrubar Sócrates.
Na Islândia, a dívida do país à banca foi a referendo e os islandeses chumbaram-na com dois rotundos “Não”!
Na Espanha, o divórcio entre as elites políticas institucionais e a juventude ficou patente também na rua a 15 de Maio, em Madrid. A palavra de ordem mais proferida foi “Não, não nos representam”.
Nos EUA, começaram a 17 de Setembro movimentos de ocupação de espaços públicos em centenas de cidades num protesto que visou denunciar a cada vez maior influência de bancos e multinacionais nas decisões dos governos de todo o Mundo.
A 15 de Outubro, um protesto inédito a nível global, que reivindicou uma democracia mais participativa, uniu gentes da Europa, Ásia e América.
Por cá, CGTP e UGT juntaram-se na convocatória para uma Greve Geral, a 24 de Novembro, com manifestação em Lisboa. Desavergonhadamente a intervenção policial reprimiu os manifestantes e infiltrou agentes provocadores no protesto.
2011 foi o ano a que o povo deu voz!
E gritou!

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