Sociedade higienizada

Quinta-feira, 26 Setembro, 2019

Carlos Pinto

director do correio alentejo

Nos últimos dias o ser (ou não) politicamente correcto deu muito que falar, escrever e opinar, tendo como ponto de partida duas situações bem distintas: primeiro foi a decisão unilateral do reitor da Universidade de Coimbra de retirar a carne de vaca das ementas das respectivas cantinas a bem da camada do ozono; a segunda foi a brincadeira de Bernardo Silva com o seu colega de equipa no Manchester City, Benjamin Mendy, a quem o internacional português apelidou de “Conguito”, para desespero dos defensores dos direitos raciais e das minorias.
Um e outro episódio ganharam uma proporção inaudita e certamente inesperada pelos seus “actores”, sendo que ambas demonstram o quão perigosa se tornou esta sociedade global, onde impera o politicamente correcto e que está a caminho de uma “higienização” total (sabe-se lá bem para quê).
Caso contrário, como se justifica que o reitor de uma universidade centenária tome uma decisão sem a devida justificação científica ou orçamental? Ou como é possível que se acuse de racismo um jogador de futebol por uma mensagem a brincar com um colega, ainda mais sabendo que ambos são grandes amigos e que uma equipa de futebol é, precisamente, sinónimo de integração e igualdade, já que muitas vezes se juntam no plantel (e no 11) atletas europeus, africanos, sul-americanos e asiáticos?
Tudo isto demonstra a esquizofrenia em que caiu a sociedade nos dias que correm, onde todos têm opinião mas ninguém pode furar o protocolo cinzento e asséptico que alguns tentam impor a partir das torres de marfim das grandes cidades. Será mesmo isto que queremos para o futuro?

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