Sistemas educativos em crise

Quinta-feira, 6 Novembro, 2014

D. António Vitalino Dantas

Bispo de Beja

Não é só a nossa relação com a morte e os falecidos que está em crise ou em mudança de paradigma. Também os sistemas educativos parecem estar mergulhados em profunda confusão de modelos, a começar pela família. Por motivos profissionais e económicos adia-se a maternidade e paternidade, até já se fala em congelar os óvulos e o esperma, para serem fecundados mais tarde, como se tudo fosse apenas um processo biológico, pondo de parte a importância dos fatores psicológicos e afectivos para a educação dos seres humanos.
A seguir vem a escola, que deveria ser uma ajuda aos pais e às crianças no processo da sua socialização e não apenas uma aprendizagem de conteúdos, cada vez mais na área da Matemática e das Ciências e menos na arte de pensar e se relacionar com pessoas da nossa cultura e de outras culturas linguísticas. Apenas o Inglês, mais por motivos económicos que culturais, se salva nesta babel cultural. A confusão torna-se mais gritante com a colocação dos professores, em que os critérios de humanidade e familiares pouco contam, mas principalmente as prioridades de carreira. Desafio as pessoas envolvidas, professores, sindicatos, assembleia da república e governo a fazerem um profundo estudo e diálogo da questão e só depois de tudo bem estudado e acordado, com programas informáticos experimentados e seguros, proceder às reformas necessárias do sistema educativo.
Ficou famoso o Maio de 68 com a contestação generalizada dos estudantes, não apenas da escola, mas também da sociedade. Antes que outra confusão aconteça temos de despertar para esse estudo profundo, a começar pelos políticos e outros responsáveis pela escola, universidades incluídas. A escola do livro único, do ensino unificado e exclusivamente académico estão ultrapassadas. As estruturas mentais e os interesses das pessoas e grupos são diversificados. Mas há alguns denominadores comuns que importa ter em conta e atender às diferentes necessidades da sociedade nacional e internacional, para orientar as áreas de ensino e de investigação do ensino superior.
Quando há problemas, criam-se comissões de estudo ou entrega-se à Judiciária ou à Procuradoria Geral da República para apurar responsabilidades. Por vezes isso significa simplesmente retirar as questões da participação pública e as conclusões e resultados desses estudos e investigações nunca se sabem. Com a educação não podemos fazer isso, pois interessa e diz respeito a todos. Qualquer comissão que se crie nesta área tem de ser mais para lançar perguntas e coligir as respostas em ordem ao futuro do nosso sistema educativo.

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