Ser mãe em Portugal

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Teresa Chaves

presidente da Cáritas de Teja

A Europa está muito envelhecida. Não nascem crianças. A célula da família é constantemente ameaçada. As famílias monoparentais estão a crescer em número assim como o índice de pobreza associado. As nossas crianças são, à semelhança do que no passado foi pretendido por outros regimes políticos, educadas pelo estado, pois os seus pais estão durante todo o dia fora de casa nos respectivos trabalhos.
Seria à partida lógico que a sociedade desse todo o seu apoio à estrutura familiar, que apoiasse a maternidade.
Que acolhesse e apoiasse as mulheres que gostassem de ficar em casa nos primeiros três anos dos seus filhos, que houvesse possibilidade de trabalharem em part-time enquanto os seus filhos estivessem na escola. Que as crianças não tivessem de ficar na escola todo o dia. E que durante a tarde pudessem ser acompanhados em casa pela família.
Esta situação é comum na Holanda. Existem muito poucos infantários. E a organização da sociedade possibilita o regime de part-time. As crianças só estão na escola durante a parte da manhã.
Este modelo valoriza a família e as relações de vizinhança. O trabalho em regime de parte-time também traria benefícios na redução do desemprego.
Em Portugal, a sociedade incentiva, numa perspectiva de “modernidade”, as mulheres a ficarem todo o dia fora de casa, a não ter mais de um ou no máximo dois filhos. Quem tiver um plano de vida diferente é apelidado de retrógrado ou até mesmo de pertencer a uma seita.
Não quer isso dizer, que se deverá impossibilitar a Mulher que queira ter uma carreira, de trabalhar em full-time. Também deverá ser uma possibilidade. É certamente também uma mais-valia para a sociedade. E também não deverá ser estigmatizada por isso. Mas quem preferir não estar todo o dia fora de casa, também o deveria poder fazer.
Aliás, o regime de trabalho em part-time é quase inexistente em Portugal.
Se o Estado financia os infantários e os mesmos são em número insuficiente, porque não financiar com o mesmo valor a Mãe que queira ficar com o seu bebé em casa? Poupava-se na saúde pois esses bebés não iriam ficar tantas vezes doentes. A nível de bairro poderiam criar-se estruturas de voluntariado para actividades de entre-ajuda . Criar laços na comunidade e reforçar os laços familiares, evitando tantos divórcios e sofrimento.
A mulher em Portugal sente-se constrangida em assumir que tem vocação para a maternidade. É estigmatizada quando assume que gosta de ser Mãe!
Sendo mãe de 4 filhos, sei do que falo por experiência própria.
Penso que importa encontrar modelos alternativos que valorizem as relações e tornem esta nossa sociedade mais humana. Tenhamos a coragem para isso, mesmo que à nossa volta se levantem vozes indignadas por não nos considerarem “modernos”!

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Em Destaque

Últimas Notícias

Role para cima