Salada alentejana

Quinta-feira, 14 Abril, 2016

Napoleão Mira

empresário

Dizia-me um amigo que, se visto do céu, grande parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano está coberto por plástico.
Admirava-se de nesta zona protegida não se poder construir uma casota para um cão, mas permitirem-se dezenas e dezenas de hectares de estufas implantadas em pleno parque natural.
Na conversa onde esta crónica veio desaguar, este alentejano da beira-mar insurgia-se contra a presença destas mega agroindustrias, que a seu ver apenas conspurcavam a paisagem, já que proveitos vindos da criação de postos de trabalho, movimentação do comércio, aluguer de habitações etc… ficava muito, mas mesmo muito, aquém das expectativas geradas e até prometidas.
Entre gestos teatrais e baforadas no cigarro que lhe ardia entre os dedos explicava que na grande maioria (exceptuando uma que também emprega portugueses e abastece o mercado nacional) todas as restantes, contratavam unicamente mão de obra asiática e a totalidade da sua produção era para exportar.
“Ora – dizia ele – se as empresas são estrangeiras, os empregados estrangeiros e o produto acaba no estrangeiro não acredito que o dinheiro também não fique por lá, no estrangeiro! Olhe, somos uma espécie de barriga de aluguer para enriquecer magnatas!” – Rematou entre o frustrado e o irado enquanto apagava a beata com a biqueira do sapato.
Assim, em jeito de confidência, dizia que agora estão na moda as estufas de frutos silvestres. Que são produtos detox, que fazem muito bem à saúde; que previnem o envelhecimento. E, em voz baixa, quase sussurrante, afirmava que o que as pessoas não sabem, é que aquilo leva uma carga de produtos químicos e pesticidas tão grande que, os funcionários que as aplicam, têm de fazer análises clínicas regulares para despistar qualquer dano colateral motivado pela toxicidade da sua atividade.
Quando já dele me despedia ainda atirou em jeito preocupante: – “ Se os estrangeiros que trabalham nas estufas e que moram ali para as bandas de São Teotónio pudessem votar num partido que emanasse dessa comunidade, já seriam eles a mandar na terra”.

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