Quem não deve não treme!

Quinta-feira, 11 Junho, 2015

Napoleão Mira

empresário

Não sei se é coisa só minha, ou se também acontece a quem passa por aqui os olhos.
Sempre que recebo correio e o remetente tem no titulo a sigla A.T. (Autoridade Tributária) fico de imediato apreensivo. Solta-se-me o coração aos pulos, começo a suar em bica, tremem-me as mãos. Tal não deveria acontecer! Sou um cidadão exemplar, pago os meus impostos a tempo e horas, salvo um ou outro equivoco, as minhas querelas com esta entidade têm sido resolvidas a contento.
Portanto: Quem não deve não treme! Penso eu em forma de apaziguamento.
Mas facto é, que os episódios são aos milhentos e receio que qualquer dia me toque a mim. Cito por exemplo o dos condutores que, por qualquer razão, não pagam meia-dúzia de portagens (ainda por cima a uma empresa particular!), é-lhes ameaçado confiscar o património de uma vida, normalmente a habitação, como forma coerciva de liquidar os supostos 10 euros das portagens mais os 1.000 euros de multas mais as custas de não sei quê.
Ou o caricato caso da conta do restaurante, que me dizem ter o dever de cidadania (bufaria, na minha linguagem!) de a ir pagar às finanças, caso tenha conhecimento que o dono do restaurante onde habitualmente como, tem dívidas à umbrosa A.T.
O ridículo da coisa, é que eu, que não devo nada à A.T., no limite, posso passar a ter os meus bens penhorados por ter ignorado a diretiva emanada pelas eloquentes cabecinhas que debitam este vómito em forma de legislação.
Como vivi uns bons anos no anterior regime ditatorial, recordo-me perfeitamente dos métodos pidescos utilizados então. Reconheço nestes, os mesmos tiques de amedrontamento, a mesma fórmula aterrorizante, o mesmíssimo despudor com que é tratado o cidadão.
No outro dia, tocaram-me à porta. Espreitei sem ser detetado. Eram dois soturnos engravatados de pasta na mão. Escondi-me e não a abri. Supus de imediato serem dois inspetores da tenebrosa Autoridade (só o nome já me causa calafrios!)
Soube depois tratarem-se de dois inofensivos vendedores de eternidades em forma de reencarnação. Vulgo, Testemunhas de Jeová.

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