Projectos (com)sentido(s)?

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Margarida Janeiro

jornalista

Que as crónicas não servem para “falarmos” de nós próprios já todos sabiam. O que nem todos sabiam, e passaram a saber à posteriori, é que também não são para falar dos outros, deles e de suas vidas. Quem o fez escancarou demasiado o postigo e, posto isto, e porque as que alinhavo e as que leio me têm servido para opinar acerca de (des)Governos e outros temas interessantes, abre-se hoje aqui uma excepção. O assunto não é o desemprego; não é o aberrante código laboral; o assunto não é o aumento de bens e serviços a velocidade supersónica ou as campanhas publicitárias dos cinquenta por cento de desconto. Também não se trata (embora fosse pertinente) de jornalistas reprimidos em manifestações ou em casos como o das secretas. Hoje abre-se uma excepção, pois vou escrever sobre um tema que não interessa a ninguém.
Tudo o que Beja tem e é deriva de uma política de ideologia comunista que governou o concelho durante cerca de 35 anos. Infra-estruturas culturais, desportivas, paisagísticas, escolares e equipamentos vários que em muito contribuíram para a melhoria das condições de vida da população da cidade e das freguesias. Porém, e apesar de alguns bons pensadores, os vícios de poder eram já muitos, demasiado clientelismo, favores a pagar, cunhas, um ciclo muito fechado sem lugar para os que não eram da sua cor política. Uma obtusidade que mereceu críticas severas.
E, vai-se a ver, deposita-se esperanças na renovação, uma renovação também de esquerda que – felizmente! – os bejenses não são capazes de ir mais longe. Deposita-se o voto, a esperança ou, dito de outra forma, a ilusão!
Deve ser difícil a alguém governar seja o que for em tempo de crise (cada uma de nós vê-o nem que seja pela própria casa), mas caramba, além de eventos folclóricos o executivo PS ainda não trouxe nada de relevo à cidade, nada digno de nota, nada que se diga “benza-te Deus”!
A alma dos lugares é aquilo que neles se faz e deles se faz. Todos sabemos que a Biblioteca Municipal de Beja mereceu e merece os melhores elogios a nível nacional. Nada disto é por acaso! Tudo releva de um trabalho assente numa equipa forte e coesa, bem gerida, com projectos, planificações, objectivos. As “Palavras Andarilhas” são apenas a face mais visível desse trabalho, a parte mais pública, mais exposta. O mesmo se poderá dizer da Bedeteca de Beja e do seu Festival Internacional de BD sem, claro, esquecer os anos de trabalho e de envolvimento no atelier Toupeira. Beja projecta-se há muito e bem através destes seus dois grandes eventos. Se preciso for é de levá-los ao colo.
E precisamente porque acredito nestes projectos de continuidade, nestes projectos de formação tão essenciais à criação de novos públicos, de novos hábitos culturais, tão enriquecedores… Por tudo isto um dia apresentei ao já então executivo PS a criação daquilo que denominei “serviço educativo em rede”, um projecto pensado para aquele triângulo físico de equipamentos culturais formado pelo Museu do Sembrano, o cine-teatro Pax Julia, Museu Regional, Casa das Artes Jorge Vieira e Galeria dos Escudeiros. Pretendia-se potenciar as visitas às diferentes instituições com uma estratégia idealmente concertada, pedagógica e adequada às expectativas e especificidades de cada instituição. Propunham-se ligações às escolas, através da criação de um programa pedagógico transversal a todos os equipamentos, tentando, assim, com o indispensável background da Biblioteca, criar novos públicos, fidelizar os já existentes e promover o património histórico e cultural pertencente à rede.
A resposta? O interesse? A motivação? Ploff! Até hoje “nem sim nem sopas”.
Na mesma altura apresentei outra no âmbito da comunicação. Uma pequeníssima parte dela puseram-na agora em prática: as newsletters semanais. Só agora! Ah! mas tenho a certeza que a sugestão foi de um expert do marketing requisitado a nível nacional.

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