É da praxe falar da praxe nesta altura do ano. A praxe é como a estupidez e a palermice acéfala, ou a cretinice paternalista, ou a canalhice intimidatória, nunca vão acabar. Às vezes florescem até, dissimuladas na fantasmagórica apologia da tradição e do espírito académico, sebastiânicos pretextos e descarados álibis de quem precisa de ofender, insultar, vexar, inferiorizar, humilhar e traumatizar, para se sentir pertencer a uma identidade colectiva qualquer, para experimentarem a presunção da importância e da visibilidade, para se inebriarem de um folclórico poder, para se vingarem do esquecimento e do anonimato, para retribuírem o espezinhamento e a frustração que vem do sistema, ao qual prestam vassalagem de cabeça baixa, mas de esqueleto negramente encapado uma ou duas vezes por ano.
A praxe académica é um miserável festival de rasquice e de violência e qualifica perfeitamente todos os que a impõem e os que a ela se sujeitam. Os primeiros, armados de um anacrónico autoritarismo moral, reminiscência da imagem coimbrã do “doutor”, feita de serenatas sexistas, disciplina sebenteira, e boémia destravada, coagem psicológica e simbolicamente os novatos a quem é apresentada a inevitabilidade da praxe ou então a alternativa da “anormalidade” e da “ghettização”. Os segundos, imersos na fragilidade da sua condição, socializados na e pela obediência, assumem mansamente o seu destino académico: serem gozados e ridicularizados. É este o mandamento dogmático da praxe: receber e integrar os novos alunos pelo recurso ao gozo e à caricatura, quando não à agressão e à imposição forçada.
É claro que a palhaçada da praxe, os seus promotores e as suas cobaias, tem a impunidade institucional na vanguarda e a permissividade cultural e social na retaguarda, e passeia-se pelas ruas das cidades, recebida ou com indiferença ou com o assentimento risonho que autorizamos ao circo. Por isso, seria uma medida a aplaudir, à semelhança de uns poucos estabelecimentos de ensino superior, se se proibisse a praxe no campus do IPB, e, assim, este excluía-se da cumplicidade com os espectáculos vergonhosos ou risíveis que se repetem intramuros.
E por falar em IPB, considero temeroso que a direcção do IPB venha a público declarar que os resultados do acesso ao ensino superior foram “muito positivos” para o IPB. Ora tenho alguma dificuldade em vislumbrar tanta positividade nesses resultados, quando eles mostram que uma das quatro escolas do IPB está literalmente às moscas. E já não é de agora. A Escola Superior Agrária bateu no fundo da atractividade e viabilidade, e é cada vez mais premente discutir uma alternativa estrutural, que podia passar por uma Escola Superior de Artes Plásticas, Artes Performativas e Design. A verdade é que muitos dos cursos que o IPB promove estão saturados ao nível do mercado de trabalho, e não tem havido frontalidade e coragem para desinstalar lobbies internos e repensar radicalmente a oferta.
Muito positiva foi a primeira edição do ModaBeja, que teve lugar no pretérito sábado no castelo de Beja. Entregue aos cuidados da Cocas Produções, que o organizou e produziu, o evento foi um manifesto sucesso de público e envolveu muitos espaços comerciais da cidade, e demonstrou a vitalidade e competência da produtora bejense para produzir espectáculos desta natureza. O ModaBeja proporcionou uma glamourosa noite de beleza e arte, música e animação, e o seu êxito é a promessa de que terá continuidade, e é a certeza do dinamismo da iniciativa privada em Beja.

Tradicional romaria da Senhora da Cola em Ourique
Centenas de devotos são esperados na tradicional romaria de Nossa Senhora da Cola, que se realiza nesta segunda e terça-feira, dias 7 e 8 de







