O nomeado, a ministra e os projectos estruturantes

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Hélder Guerreiro

Ele há coisas que não podem passar sem que as façamos notar. Fazemo-lo muitas vezes pelos seus aspectos qualitativos de conteúdo e outras vezes apenas pelo contexto em que são ditas ou feitas.
No caso da entrevista dada por João Basto (novo responsável pela EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva) ao "Diário do Alentejo" é notório o conteúdo de qualidade e o que é dito como marco de um contexto em que outras coisas têm sido ditas sobre o Alqueva e, porque não, sobre outros projectos estruturantes do Baixo Alentejo.
João Basto diz um conjunto de coisas assertivas (mesmo que não sejam verdade) que importa mesmo realçar. Começa por se apresentar como alguém que conhece o território e que está no projecto com orgulho e motivação. Realça a qualidade da equipa que encontrou e nunca, mesmo instado a isso, diz mal dos seus antecessores (coisa estranha cá no burgo). Segue afirmando a boa relação com os agricultores e com as suas organizações (mesmo que não existisse, esta postura é claramente amiga da construção de boas relações entre parceiros de um mesmo projecto).
Do ponto de vista mais técnico demonstra segurança na forma como abre as valências do projecto, assume que o turismo ainda não teve o seu tempo (deixa cair um mito) e recoloca a relevância do Alqueva nas questões ambientais e de abastecimento público como forma de concretizar os seus objectivos. Interessante é o administrador enunciar que antes de se pronunciar sobre o projecto e antes de decidir o que quer que seja sobre o seu futuro sentiu necessidade de conhecer, avaliar e planear.
No concreto é bom saber que o projecto, tal como eu já venho dizendo há algum tempo, está acima da média nacional na adesão dos agricultores ao projecto, afirma mesmo que “o Alqueva é um sucesso” por ter 60% de adesão dos seus beneficiários ao sistema e porque o expectável retorno de 4,45€ por cada euro investido está a ser superado, sendo que 70% da riqueza criada fica na região. O termo é mesmo sucesso!
Sendo assim é estranho que um homem, nomeado pelo actual governo, e que está há seis meses na liderança da EDIA tenha uma visão tão distinta de quem o nomeou, sobre o mesmo projecto. Julgo que estamos todos recordados das declarações da, ainda, ministra Assunção Cristas quando vaticinava um mau futuro para o projecto, quando anunciou o adiamento da sua concretização e quando afirmou que os agricultores alentejanos não estavam a saber aproveitar as potencialidades instaladas.
Se o João Basto, de uma forma simples, vem afirmar e demonstrar a relevância do projecto para a economia da região e o seu sucesso na adesão que conseguiu por parte da região e sendo este um projecto que este Governo considerava, talvez ainda considere, de insucesso então está comprovado que este Governo é imaturo, impreparado e incompetente.
Ou então nomeia pessoas que têm por hábito contrariar os que os nomeiam (o que não é necessariamente mau)!
E, se assim é, que confiança poderemos ter nós na opinião que os mesmos governantes têm sobre projectos como a A26, o IP8, o IP2, o IC4 (à atenção regional porque só quando Odemira fala é que se considera o IC4 como estruturante para a região), o porto de Sines e o aeroporto de Beja?
É evidente que não podemos confiar! Ou não?

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