O “Des–Bloco” da Esquerda

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

José Carlos Albino

consultor

Como é possível que o Novo Partido que nasceu para Unir a Esquerda, nos duríssimos tempos actuais o queira fazer apenas na base das suas posições e orientações, enquanto verdades absolutas, sendo que “os outros” só tem que a eles se juntar?
Diálogo de ideias diversas e divergentes para encontrar um caminho que “salve o País”, está fora de questão, pois quem não defende as verdades do Bloco não interessam. Compromissos programáticos para o futuro, imediato e de curto/médio prazo, nem pensar. O programa já está feito – expulsar a Troika, com um Governo da “Sua Esquerda”. Sendo que esse governo responderá a todos os anseios e necessidades das pessoas, comunidades e grupos sociais atingidos pelas austeridades impostas pela “troika”. O Governo de Passos & Portas apenas obedece, e só cairá quando nos livrarmos do FMI, da UE e do BCE. E alternativas aparecerão.
Suponho que a esmagadora maioria das Pessoas que fazem o País real, não acreditam neste milagre, nem na fé que o inspirará. Assim sendo, os Bloquistas e seguidores auto excluem-se duma solução realizável para Portugal, na Europa de que somos parte. Mas pior – farão excluir algumas forças sociais necessárias para um caminho de superação da profunda crise em que vivemos.
Felizmente, um quarto dos delegados da Convenção do BE não apadrinham esta via, sendo que a questão da liderança bicéfala é um problema menor, embora o mais popularizado.
Considerando que todos os Democratas Progressistas, centrados à esquerda, têm que saber aprender uns com os outros, passando, principalmente, pelos Partidos e Movimentos em que muitos se integram, faço votos e empenhos que o Bloco ainda mude ou as Pessoas o façam mudar.
“Donos da Verdade” é o que menos precisamos nesta dura encruzilhada. Sabendo que o caminho é difícil e estreito, apenas “sei que não vou por aí”, ou seja, nem pelo empobrecimento das austeridades ultra liberais do Governo, nem “rasgar o memorando com a “troika”, sem alternativas para cumprir com as obrigações do Estado para com as Pessoas.
Unir, afirmar e mobilizar todos os Democratas Progressistas para um programa e forte liderança de convergência exige-se! Pois, só com um muito amplo “Bloco Social e Político” venceremos as adversidades em presença, renegociando com firmeza responsável o Memorando, no quadro dum combate por uma União Europeia solidária e democrática.

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