O cravo que não sabe o que foi o 25 de Abril

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Vítor Encarnação

Na aula de História, um cravo jovem, daqueles de calça descaída, telemóvel 3G, brinco na orelha esquerda e sempre online, não soube dizer o que é a liberdade.
Um cravo dos mais velhos, professor com barba e cabelos brancos, zangou-se com o irresponsável desconhecimento que o cravo adolescente tem do 25 de Abril.
Pelos gritos e descomposturas, pode dizer-se que na aula houve uma revolução de todo o tamanho.
E depois, o cravo que já viveu muitas primaveras, ainda foi desabafar na sala dos cravos professores: Não é possível! Esta nova geração de cravos está perdida. Estes cravos miúdos já não respeitam a história e só ligam aos computadores. Estas flores de agora já não cheiram a democracia!
O cravo jovem, tatuagem no caule e gel nas pétalas, até tem visto umas fotografias da revolução de Abril e mais, o seu avô é bem famoso. É ele o cravo que está no cano da espingarda!
O problema é que o avô se esqueceu de contar ao seu filho como foi a luta pela liberdade e por isso, o pai deste cravo já não lhe soube explicar o que foi o 25 de Abril.

Moral da história: A memória é curta e para não desaparecer tem de ser transmitida cravo a cravo.

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