O baralho da Rua da Ancha

Sexta-feira, 18 Janeiro, 2013

António José Brito

director do correio alentejo

A notória indefinição do PCP para escolher o seu candidato à Câmara Municipal de Beja pode custar-lhe caro. Entalados entre a falta de notoriedade de José Maria Pós-de-Mina e o excesso de autonomia de João Rocha, os comunistas prefeririam sempre o primeiro. É um homem do aparelho, ideologicamente inabalável e com um vínculo profundo ao partido. Mas isso não chega! Em Beja cidade e no resto do concelho, Pós-de-Mina não é personalidade que diga muito às pessoas.
Por isso, o PCP vai testando sensibilidades, percebendo os riscos, estudando melhor o assunto. E demora! Deixando passar a ideia que essa demora é calculada, estatégica e necessária. Nada mais falso.
A verdadade nua e crua é que há divisões internas e correntes que puxam para estas duas soluções. E ao PCP só faz falta um candidato! Como se não bastasse, o Provedor de Justiça veio dizer que são os tribunais locais que determinam se é posível um autarca com três mandatos num concelho mudar-se para o concelho ao lado. Imaginem que, em Beja, sem direito a recurso, o tribunal veta Pós-de-Mina ou João Rocha?
O PCP sabe que isso pode acontecer. E está hesitante. Teme que a melhor estratégia se desmorone como um castelo de cartas. Por isso, é natural que surja uma terceira via, capaz de encorpar a liderança da candidatura, com semelhante notoriedade e vínculo longíquo ao partido. Na Rua Ancha sabe-se isso muito bem. E as cartas estão sempre todas no baralho!

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