Novas Tecnologias

Quinta-feira, 25 Setembro, 2014

Napoleão Mira

empresário

Sou um adepto das novas tecnologias. Acho que nos facilitam a vida. Que nos trazem inúmeras vantagens e, de entre elas, esse admirável recurso, que é termos o mundo na ponta dos dedos à velocidade de um clique.
Dou comigo a pensar, o quão espantosa é a criatividade humana!
Mas, como em tudo na vida, não há bela sem senão!
Do “senão” de que vos quero dar conta, é da inconsciente dependência que estas provocam nos utilizadores. Preocupa-me esta coisa de sermos voluntários reféns sem direito a resgate, sem que, pelo menos eu, vislumbre maneira de escaparmos desta teia em que nos deixámos envolver.
A minha avó, tinha uma teoria que me ficou para a vida.
Dizia ela: — “Filho, prova de tudo e não comas de nada!”
Aludindo à metáfora da minha avó, agora, empanturramo-nos de informação, de fotos e vídeos de gente em situações caricatas, esquecendo-mo-nos de que existe outro mundo, outra vida, esta sim bem dura e real, para lá dos ecrãs dos smart phones, tablets ou computadores.
Sim! Estou preocupado!
Apoquenta-me a “japonização” com fotos de tudo e de nada.
Inquieta-me a prioridade do sms em detrimento da atenção devida a quem connosco conversa olhos nos olhos.
Afligem-me as criancinhas nos restaurantes mergulhadas em jogos de violência no Ipad dos papás, em lugar da refeição em família.
Angustia-me a primazia das redes sociais, quais “tamagoshis” dos tempos modernos que têm de ser alimentadas a cada hora que passe.
Perturba-me a febre dos “likes”.
Enojam-me os “twitts” do género. “Estou aqui no restaurante tal. Imaginem quem está aqui ao meu lado a comer um bitoque? O Ronaldo!”
Nesse capítulo, a sociedade em que vivemos, transformou-se numa inquieta e sufocante bolha onde, de dentro dela, cada um de nós assiste impávida e serenamente ao desmoronar do mundo como até agora o conhecíamos. Até que, chegue o dia em que o “homem do alfinete” escolha a tua (ou a minha!), e assim, numa alfinetada, nos retire a imunidade e passemos de espetadores a protagonistas do mundo virtual e ridículo que ajudámos a criar.

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