Memória e vergonha

Quinta-feira, 17 Setembro, 2020

Luís Dargent

dirigente do CDS

Tratava-se de um personagem simpático e afável que passou meteoricamente pelo anterior governo, quando o engenheiro de Paris se apercebeu que uma das principais causas da perda da maioria absoluta fora o tristemente célebre, e hoje pela maioria já esquecido, Sr. Silva. Percorreu o país de norte a sul, indo ao encontro dos agricultores, distribuindo ilusões, sorrisos, promessas e mordomias com a má consciência de quem vinha tentar compensar a razia provocada pelo seu antecessor. A todos caiu simpático, num sector algo esgotado por lutas internas e externas, ao qual imediatamente conquistou com o seu jeito manso e de fino trato. Com um certo ar de “tótó”, parecia que não partia um prato, distinguindo-se da maioria dos ministros do anterior governo pelo seu comedimento e aparente proximidade com a sociedade civil, atrevendo-se a pôr os pés onde a maioria dos seus parceiros de governo não calçavam.
Bastaram uns meses de convívio e catequização no Parlamento, e sabe lá Deus onde, para que o verniz estalasse e, pasme-se, onde havia cortesia agora há insulto, onde havia diplomacia encontramos conflito e onde havia respeito pela verdade deparamo-nos com a mais descarada mentira. Tudo serve agora para que a sua ira se abata sobre o actual governo e, mais insidiosamente, sobre os “ministros do CDS”.
Gostaria de recordar ao afável e simpático personagem que não existem “Ministros do CDS” e sim de Portugal, mas da forma como governaram este país não me custa nada pensar que acreditavam que isto era tudo V. exclusiva propriedade.
Lembrar-lhe-ia apenas alguns momentos recentes da sua governação e que, apesar da memória colectiva ser muito curta, certamente verá os seus efeitos perniciosos perdurarem:
– Revisão do Parcelário? Nada, a não ser multas para Portugal e penalizações para os agricultores.
– Reforma dos seguros agrícolas? Ficámos a dever quase 100 milhões de euros.
– Bolsa de Terras? É melhor não, que dá muita celeuma.
– Rever a legislação florestal, simplificando-a e tornando-a um instrumento do desenvolvimento da floresta? Nem pensar.
– Rever a lei dos Baldios em beneficio dos compartes e do país? Cuidado para não ser impopular.
– Financiamento das medidas de sanidade animal? Quem vier atrás que pague.
– Conclusão do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva? Dívida, promessas e mais dívida.

Como diziam em Baleizão: “Quem viu morrer Catarina não perdoa a quem matou!”. E cada um tem as suas “Catarinas”…

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