Há verdades que não se podem subscrever!

Quinta-feira, 13 Março, 2014

António José Brito

director do correio alentejo

Na última reunião da Assembleia Municipal de Castro Verde, os eleitos do Partido Socialista apresentaram uma moção onde defendem a finalização das obras da auto-estrada Sines/Beja (A26) e reivindicam o recomeço imediato das obras do IP2 entre Castro Verde e Évora.
A moção foi aprovada por maioria, com oito abstenções – uma do único eleito do PSD, que parece ser muito normal, e sete de eleitos da CDU naquele órgão. Ou seja, há pelo menos sete autarcas comunistas no concelho de Castro Verde (entre eleitos na Assembleia Municipal e presidentes de Junta de Freguesia) que fazem sobrepor aos interesses do concelho uma leitura política meramente partidária!
E porquê? Porque a justificação para a abstenção dos eleitos da CDU, nalguns casos expressa através de declaração de voto, assentou no facto de a primeira parte do texto da moção referir que o Baixo Alentejo, “em função da vontade política e de uma estratégia clara de desenvolvimento” de governos do PS, ter visto avançar o projecto do Alqueva, a construção do aeroporto de Beja, os centros de saúde de Almodôvar e Aljustrel, os novos edifícios para a ESTIG de Beja, as requalificações de várias escolas em toda a região, o investimento na rede viária regional, como a EN 123 (Castro Verde-Mértola) ou o troço do IP2 entre Castro Verde e a auto-estrada Lisboa – Algarve, que privilegiam o concelho de Castro Verde!
Os eleitos do PS explicaram que foi este contexto de desenvolvimento que permitiu fazer avançar a auto-estrada Sines/Beja (A26) e as obras do IP2 entre Castro Verde e Évora! Mas, perante estes factos verdadeiros e inquestionáveis, mais de metade dos eleitos da CDU que estavam presentes, deram a entender que era presunção e não ficava bem ao PS falar da obra feita. Só por isso, abstiveram-se!
Num concelho onde a maioria CDU na Câmara Municipal tem uma das mais poderosas máquinas de propaganda e controlo político, não deixa de ser extraordinário que, confrontados com a necessidade de exigir e protestar contra um Governo que está a causar graves prejuízos ao concelho e à região, os eleitos da CDU, com o notório apoio do presidente da Câmara Municipal, tenha actuado deste modo.
Os actos ficam com quem os pratica e, por isso, não queremos deixar de destacar a atitude responsável dos cinco eleitos da CDU que souberam pôr os interesses do concelho à frente da estrita visão partidária. Entre eles, a própria presidente da Assembleia Municipal, Fernanda Espírito Santo, que votou a favor da moção.
Em suma, para nós parece óbvio que muitos dos actuais eleitos da CDU têm de fazer um esforço para abandonar a visão exclusivamente partidária que tantas vezes coloca o PCP acima de Castro Verde.

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