Fazer como a mulher de césar

Sexta-feira, 21 Novembro, 2014

Carlos Pinto

director do correio alentejo

“À mulher de César não basta ser, tem também de parecer!”
A frase acima, apesar de ser um “lugar comum”, é uma velha máxima que há muito (ainda que com diversas excepções pelo meio) virou regra na política. Tudo porque na nobre arte da causa pública é preciso sobrepôr o interesse de todos à necessidade individual. E é indispensável abraçar o desígnio do colectivo em detrimento da mera satisfação pessoal.
Vem isto a propósito da recente demissão de Miguel Macedo do cargo de ministro da Administração Interna. Mesmo sem ser arguido, o social-democrata viu-se enredado na teia de corrupção que aparenta envolver a atribuição de vistos dourados a estrangeiros que investiram (ou prometeram investir) em Portugal. Perante a suspeita, Macedo optou por sair do Governo pelo próprio pé. E fê-lo bem. Para si e para o executivo de Passos Coelho.
Nas semanas e meses que se seguirão, caberá as autoridades policiais investigar o seu envolvimento no caso. E, se necessário, haverá sempre a justiça para deliberar um veredicto. Mas até lá, era insustentável um ministro manter-se em funções envolto em tão grande nuvem de dúvida. Sobretudo um governante com responsabilidades em áreas tão sensíveis como são as forças de segurança e de informação.
Só é pena que a atitude que teve Miguel Macedo não seja vista como exemplo para alguns dos seus agora ex-companheiros de Governo, a começar pela ministra da Justiça, que desde Setembro, com a reforma do mapa judiciário, vem acumulando gafes e erros atrás de gafes e erros. E também pelos ministros responsáveis pelas pastas da Educação, dos Negócios Estrangeiros e até da Economia. Infelizmente, nenhum dos quatro saiu. Porque, lá está, nem todos são como a mulher de César. Nem tão pouco como Jorge Coelho, o homem que vendo ruir uma ponte numa noite de Inverno assumiu que a culpa não podia morrer solteira. E demitiu-se.

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