Nós bem que o ouvimos professor, mas não é fácil acreditarmos em si. Não que não acreditemos na sua boa vontade, na sua persistência e na sua preocupação. Registamos com agrado o seu labor, a sua tenacidade, a esperança, a teimosia com que mantém acesa essa luz com que nos pretende iluminar o caminho. Ainda que não pareça, ainda que não o mostremos – a juventude não se entrega assim tão facilmente – agradecemos o esforço que faz, um dia após outro, período atrás de período, entre sumários e matéria para os testes, para nos dar palavras e pensamentos, valores e princípios. Sabemos que se inquieta com o nosso presente e o nosso futuro, já lhe passaram outros pelas mãos e você sabe o que lhes aconteceu. Diz-nos que salvo raras excepções, eles e elas são agora adultos e cidadãos da mesma forma que eram alunos. Costuma dizer-nos que a escola é o rascunho da vida. Sentimo-lo triste, às vezes revoltado quando sabe que não fez diferença nenhuma na vida de alguns deles. Mas, para seu próprio bem, aceite que não nos pode salvar a todos. Ninguém nos pode salvar a todos. Você até é um tipo fixe, mas os seus sermões estão a ficar cada vez mais parecidos e mais chatos, deve ser da idade, deve ser do cansaço que se nota no seu rosto e na sua voz. Estamos preocupados consigo. Você ainda não percebeu que está a ficar alineado, perdido. Lembra-se do D. Quixote? Pois é essa triste figura que anda a fazer. Compreendemos que não possa desistir, que não assobie para o lado, esse desassossego está-lhe na massa do sangue. Mas há uma coisa tão óbvia que o professor ainda não percebeu. A realidade desmente-o. Será que não vê televisão e não lê jornais? O mundo cá fora não é isso que você nos ensina. Dê a suas aulas e pronto, nós cá nos havemos de arranjar.

Castro Verde homenageia antigos combatentes
Castro Verde vai prestar homenagem aos antigos combatentes do Ultramar do concelho neste sábado, 18, numa cerimónia promovida pela Câmara Municipal, em parceria com a







