Dom da fraternidade verdadeira

Quinta-feira, 19 Março, 2015

D. António Vitalino Dantas

Bispo de Beja

Com a celebração do bpatismo de Jesus por João Baptista terminou a quadra festiva de Natal e Jesus deu início à sua vida pública, anunciando o Reino de Deus. Jesus colocou-se na fila dos pecadores para receber o baptismo de João e santificar as águas, para que por elas e pelo Espírito Santo pudéssemos renascer, ou seja, nascer de novo, para vivermos nas pegadas de Jesus Cristo. Este nascimento é um dom da fé através da mediação da Igreja. No baptismo pedimos à Igreja a vida eterna, ou seja, uma vida onde já não é o homem mortal do pecado que reina, mas Jesus Cristo com o seu Espírito. Este renascimento é um dom, mas é preciso deixar crescer a criança nova em nós, não apenas em estatura, mas também em sabedoria e graça, ao modo de Jesus, que passou no mundo fazendo o bem, perdoando, ensinando e entregando a vida por todos.
No baptismo nasce o homem para a fraternidade universal, mas precisa de alimento para percorrer o caminho até à maturidade. O essencial desse alimento também é dom através da comunidade dos discípulos de Jesus, pois falta-nos a capacidade para nos auto-abastecermos. Na génese do homem novo há sempre essa colaboração entre o humano e o divino. As misturas feitas só a partir de nós mesmos tornam-se remédios sem simbiose dos elementos. Não têm energia para nos fazer crescer até à maturidade do homem segundo Jesus Cristo. Um simples voluntarismo ou moralismo não fomentam o homem fraterno ao modo de Jesus, livre e alegre na entrega de si mesmo para libertação do egoísmo, que faz secar a seiva da vida e da relação fraterna entre todos.
Estes pensamentos sobre o baptismo como raiz da vida nova de relações fraternas, baseadas no amor, que nos liberta do medo, da opressão e da tristeza surgem ao ver tantos milhões a marchar contra a violência, o terrorismo e pela liberdade de expressão e de religião. Isso é importante, mas creio que ficamos a meio caminho, se não renascermos para o ideal de homem que ama, perdoa e reza pelo seu inimigo, que se põe ao serviço, sobretudo dos mais frágeis, como o fez Jesus Cristo.
Neste mundo de senhores, de desiguais, de acepção de pessoas, de injustiças, de corrupção, de indiferença perante o sofrimento de muitos milhões, de opressão e escravidão, será difícil eliminar a violência. Por isso é bom acordar e começar a caminhar. Mas não tenhamos ilusões. Temos um longo caminho a percorrer. Precisamos de alimentar a esperança, acolhendo com docilidade e gratidão os dons que a fé nos transmite.

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