Os desencantos provocam silêncios nas pessoas. Silêncios e ausências. É certo que o mal também pode estar nelas próprias, nos seus ensimesmamentos, nas suas melancolias, nas suas dúvidas. É verdade que pode. É verdade que o cansaço pode vir de dentro, pode ser fruto de uma incapacidade em lidar com uma realidade normalmente mais forte do que o indivíduo, pode advir de uma incapacidade inata em enfrentar situações de vida em comunidade, pode resultar da inépcia em se mover nos enredos dos interesses. Tudo isto é possível, os manuais de psicologia estão cheios destas coisas. Na vida, vasculhados os exemplos, quem fica sozinho raramente tem razão.
A verdade é que os desencantos fecham as pessoas, roubam-lhe as palavras mais corajosas, tiram-lhes o ânimo e a motivação, arrumam-nas a um canto. Os desencantos calam-nas, quanto muito dão-lhes uma folha de papel como esta e um amigo ou dois para desabafar.
Não é fácil o desencanto. Em si mesmo ele não é uma escolha, quanto muito a forma de lidar com ele o será. O desencanto é uma espécie de morte um pouco menos definitiva, por onde tem a pessoa andado que nunca mais se viu, está zangado com a gente, quem é que lhe fez mal, tem a mania que é esperto, julga-se mais importante.
Mas, defendendo pelo menos a possibilidade teórica de um solitário ter razão, não acha o leitor que por vezes a realidade comunitária, política, associativa, cultural, educativa está tão cheia de falhas, imperfeições e vícios, que, após a necessária participação cívica e após o óbvio período de crítica construtiva, não nos resta mais do que abanar a cabeça e metermo-nos em casa? Não acha o leitor que por vezes, lida a realidade que nos circunda, avaliadas as pessoas que querem definir o nosso futuro e a confiança e a credibilidade que delas emanam, até um homem de diálogos, pontes e consensos, se pode tornar um solitário?
Quantos vemos nós que já não são o que eram? Quantos vemos nós que dizem que já não serão o que foram? Quantos vemos nós que infelizmente ainda são o que sempre foram? Quantos se acham ser o que os outros não acham que eles são? Quantos se acham o máximo quando deles se acha o mínimo? Quantos são os que deviam achar mas não acham nada e são outros que acham por eles? Quantos dependem do que os outros acham deles? Quantos não acham nada até que outros lhes digam o que devem eles achar?
Perante o cinismo, a altivez, a incompetência e a hipocrisia, é preciso dizer que antes a solidão que tal sorte.

Concelho de Ourique “na rota” do Mundial de gravel
Cerca de 1.000 atletas de 34 países são esperados na segunda edição do UCI Alentejo Gravel, prova que se realiza no concelho de Ourique neste







