Castro Verde espera (muito) mais de PSD e Bloco

Quinta-feira, 20 Outubro, 2016

António José Brito

director do correio alentejo

Daqui a um ano, em Outubro de 2017, os portugueses voltam a ser chamados às urnas para escolher os novos eleitos das autarquias locais. É um processo democrático muito importante na nossa sociedade, que possibilitará a avaliação das políticas executadas e em curso, a par da apresentação de projectos alternativos e capazes de renovar (para melhor) o trabalho nas câmaras e juntas de freguesia.
Este é um quadro que se aplica a cada município em todo o país. Mas vamos concentrar-nos, em particular, no concelho de Castro Verde, onde a gestão da autarquia é liderada consecutivamente pelo PCP/CDU há 40 anos: tantos quanto dura o Poder Local democrático!
A legitimidade do exercício desse poder por parte do PCP em Castro Verde é inquestionável. Sucessivamente e com clareza, os eleitores do concelho deram a esta força política confortáveis maiorias. Mas esta realidade objectiva não pode impedir que haja espírito crítico e oposição democrática que, consequentemente, permita o surgimento de projectos políticos diferentes, com novas visões e objectivos. A vitalidade e a essência da democracia passam por essa capacidade de haver propostas distintas e alternativas.
Neste processo, os partidos políticos são actores fundamentais. Bem sabemos que, nas eleições locais, conta muito o percurso cívico, social e profissional de cada candidato. Mas, sejamos muito claros, os partidos continuam a ter um papel decisivo e indispensável em todo o processo.
Por isso, julgamos fundamental que nas próximas Eleições Autárquicas no concelho de Castro Verde, as forças políticas com expressão local (PS, CDU, PSD e Bloco de Esquerda) não fujam à sua responsabilidade e apresentem projectos sólidos, coerentes e capazes de valorizar e dar mais força à democracia.
A apresentação de candidaturas para cumprir calendário (como sucedeu em 2013 com o PSD) ou a simples inexistência de candidatura (como ocorreu com o Bloco de Esquerda no mesmo ano), não será nada saudável para o processo eleitoral democrático das autárquicas em Castro Verde.
Aliás, no caso do Bloco de Esquerda, cuja expressão nas eleições legislativas de 2015 foi relevante em Castro, será absolutamente incompreensível que não apresente uma candidatura autárquica no concelho. E isso até poderá dar azo a diversas interpretações…
Além do mais, o seu coordenador regional, Alberto Matos, já assumiu publicamente, em declarações ao “Diário do Alentejo”, que esse é um dos objectivos do partido para as Autárquicas, definindo como ambição “a conquista de novos mandatos” em Castro Verde.
A responsabilidade pública e a obrigação política do Bloco de Esquerda e do PSD passa por terem candidaturas fortes, com projectos políticos competitivos e comprometidos com o concelho, que permitam ao eleitorado fazer uma opção concreta.
Como referimos e como todos escutamos repetidamente, o revezamento no exercício do poder é um bem fundamental e nunca dispensável em democracia. Por isso, não se compreende que sejam os partidos a contribuir para que isso não aconteça, optando tantas vezes pela simples e vergonhosa “falta de comparência”.
No caso muito concreto de Castro Verde e neste contexto, se o PS e a CDU têm assumido a sua responsabilidade política, o PSD e sobretudo o Bloco, têm preferido fazer de conta… sem se saber muito bem porque é assim e a quem serve esse tipo de comportamento.

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